Há coisas nessa vida que doem demais. Vão além do dedo esmagado na porta, da cólica, dos braços após o primeiro dia na academia. Existem momentos em que as dores ganham o palco, a plateia e a cena. Corroem o estômago, apertam o coração e martelam a cabeça. A dor que sinto ao ter abandonado o blog, cerca de um mês atrás, nem se compara à outra.
Nada, afinal, pode ser tão dolorido quando à desistência. Não doi por não ter solução, mas justamente por ter. Ela existe, mas o que falta é a tal força de vontade. Ânimo para buscar o diferente, para lutar por algo melhor. Alegria de viver. Alegria de fazer. Alegria para não deixar morrer. (Que textinho mais auto-ajuda para começar o mês, hein?).
Abril começa, para mim, às avessas. Daqui a vinte e dois dias completo vinte e cinco anos. Mas, pelo peso nas costas que carrego, pareço já não ter mais tempo para nada. Não são as contas, não são os filhos, não são os deveres de casa. É aquela mania assustadora e enlouquecedora de querer ajudar todo mundo, de querer fazer o melhor por todos.
Aos poucos, enquanto planejo dias melhores nas vidas alheias, acabo por perder a minha. Teimosa, não consigo desistir de quem já desistiu de si, por mais que doa. E sofro, e choro, e atormento meus dias.
De vez em quando dá vontade de explodir, de fugir, de bater. Dá vontade de não ser eu por um dia, uma semana ou um mês. Dá vontade de morar na lua, de mandar todo mundo à m..., e pedir perdão pelos três pontinhos.
Enquanto dias tristes se aproximam, dou graças pelo blog me aceitar e ouvir tanta lamentação. Hoje o banho de sal grosso vai ser pouco. E entre mentiras e verdades, só peço que me contem boas histórias.
