Nos últimos meses tenho desenvolvido um hábito ruim. Todas as noites, quando me recolho, penso em tudo, menos em contar ovelhas ou imaginar anjinhos lindos no céu para conseguir dormir. Fico ali, ancorada sobre o colchão, me virando de um lado para o outro. Mais do que maltratar o travesseiro, crio feridas e buracos na alma. Penso em tudo o que não deve se pensar. Preocupações totalmente inúteis, mas não falsas.
Penso na a pressa do tempo.
As reflexões tornam-se ainda mais fortes diante de um aniversário. Meus tios, que pularam, correram e brincaram comigo, por tanto tempo, agora têm 50 anos. Daqui a pouco, bem pouco, terão 60. Ao mesmo tempo meus avós começam a dar sinais de que não são eternos. Tios e primos se tornam rancorosos diante das surpresas da vida.
E isso preocupa. Eu sei que é o curso natural da vida. Eu sei que nada posso fazer. Mas eu sei que isso me angustia. Demais.
Diante da timeline do Facebook não é diferente. A cada nova visualização um colega de aula casa, outro tem filhos, aquele outro se torna "doutor", mais um vira "gente grande". Sem falar, ainda, nos papais, mamães, vovós e vovôs de pessoas próximas que já se foram. Que se vão.
Talvez, algum leitor deste texto esteja pensando: "Ai, Heloísa, nem pensa muito nisso. Essas coisas nem se deve lembrar". Mas eu penso e gostaria de achar, no site de uma revista, receitas para parar com isso. Será o mal daqueles que têm 20 e poucos anos? Mas assim como eu ouvia na infância: até casar, sara. Quem sabe. Quem dera.