Minhas férias escolares sempre foram sinônimo de Rincão da Serra. Lembro de contar os dias para poder passar mais tantos outros na casa da vó e do vô. Era lá, no interior de Vera Cruz, minha verdadeira escola. Até hoje não sei qual o motivo para tanto amor. Talvez a paixão por aquelas terras seja fruto de outras vidas; ou dessa aqui mesmo. O amor, porém, é a única certeza.
Depois de correr pelos campos, de brincar com os gatos, de ajudar (ou atrapalhar) na lida com porcos, galinhas e vacas eu sentia o sol se esconder. Mesmo diante de toda aquela beleza, mista em árvores e campo, uma tristeza invadia meu coração. Era o fim de mais um dia. E eu jamais gostaria que qualquer dia lá tivesse fim.
Foi, então, no poente que aprendi a ouvir os sons do asfalto (o da RSC 287, para ser mais específica). E com todas as minhas forças, sempre os detestei. Não pelos ruídos, não por problemas de audição. Talvez odiasse, tivesse raiva pelo simbolismo.
Caminhões, carros, motos, ônibus cantarolavam saudade. Na estrada seguiam caminhos cheios de certeza e incertos até a linha de chegada. Meus pequenos olhos castanhos visualizavam angústias de gente grande, ainda que fossem infantis.
Hoje, quando estou no Brechó da Lolô, ou quando aproveito os dias na companhia da família, no Rincão, me incomodo da mesma forma com o barulho dos horizontes negros. Agora, se não bastasse, são três asfaltos para cruzar meus pensamentos. Neles, o som. O medo do incerto. O fim do dia. O passar dos anos.
Nos sons do asfalto o próprio silêncio. Nos sons do asfalto está, muitas vezes, aquilo que não gostaria de ouvir.
No Clube da Helô você não paga mensalidade, não precisa de carteirinha, nem de exame médico. Aqui, quem tem mente aberta, bondade no coração e alegria no sangue é visitante vip. E para esses a entrada é liberada! Seja bem-vindo! :D
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Amor de abajur
Depois um fim de semana agitado, encontrei um tempinho para abraçar as cobertas, no domingo. Quando sentei na cama, pronta para cair no sono, senti um olhar saudoso. Era ele: o abajur. Quando o vi no canto, paradinho sobre a escrivaninha, sentindo falta de brilhar me dei conta do quanto havia abandonado o pequeno.
Logo ele foi ficar de lado. Tão lindo, roxo, rosa, emoldurado de forma artesanal em cano de pvc, de paisagem deslumbrante, vindo lá das bandas de Santa Catarina... Coitado do abajur. Fazia uns dois meses que estava apagado, quase entrando em depressão.
É engraçado como tudo nos faz lembrar dos amores perdidos, logo que se perdem. E com o abajur não seria diferente. Ele era testemunha das horas que eu e o Vagner dedicávamos para compartilhar sonhos, projetos, medos, conversas, lágrimas e todo o amor que tínhamos (reforçando bem o verbo).
Mas ontem decidi fazê-lo brilhar mais uma vez. Fiz as pazes (sem nem ter rompido) com o abajur. O perdoei por trazer tantas lembranças. A luz, dessa vez, iluminou o quarto de uma maneira diferente. Todos os pontos, brilhantes nos armários, no teto e nas paredes, fizeram renascer sonhos. Desta vez sozinhos, sim, mas cheios de luz.
Logo ele foi ficar de lado. Tão lindo, roxo, rosa, emoldurado de forma artesanal em cano de pvc, de paisagem deslumbrante, vindo lá das bandas de Santa Catarina... Coitado do abajur. Fazia uns dois meses que estava apagado, quase entrando em depressão.
É engraçado como tudo nos faz lembrar dos amores perdidos, logo que se perdem. E com o abajur não seria diferente. Ele era testemunha das horas que eu e o Vagner dedicávamos para compartilhar sonhos, projetos, medos, conversas, lágrimas e todo o amor que tínhamos (reforçando bem o verbo).
Mas ontem decidi fazê-lo brilhar mais uma vez. Fiz as pazes (sem nem ter rompido) com o abajur. O perdoei por trazer tantas lembranças. A luz, dessa vez, iluminou o quarto de uma maneira diferente. Todos os pontos, brilhantes nos armários, no teto e nas paredes, fizeram renascer sonhos. Desta vez sozinhos, sim, mas cheios de luz.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
Qual é a idade?
Faz quase um mês que não apareço por aqui. Lamentável. Horrível. É quase inaceitável não ter o que falar. Todos têm algo a dizer! Talvez o problema esteja nos últimos acontecimentos pessoais. Às vezes o silêncio é o melhor texto, a melhor resposta, a colocação mais adequada.
***
Toda vez que o aniversário de alguns dos meus tios se aproximava, toda angústia ressurgia das cinzas. Minha incapacidade (ou preguiça master) de anotar a data de nascimento deles, ou a falta de memória, complicava a situação, ano após ano. Ah, como era difícil.
O problema todo, na verdade, estava no momento em que não restavam mais saídas. Era preciso perguntar para a vó, para a mãe, para o pai. Eles simplesmente não conseguiam responder prontamente, de forma rápida, prática. E isso me tornava um ser impaciente.
Sempre, mas sempre mesmo, começavam as divagações. "Bom, eu nasci em xxx. Teu tio é cinco anos mais velho que eu e dois mais novo que teu outro tio". E assim o dia seguia. Começavam a falar, falar, falar. Procuravam respostas, começavam a conversar com o vizinho, lavavam roupa, cortavam a grama, faziam bolos, colhiam laranjas, recorriam à calculadora. Mas a resposta? Nada.
Como poderia ser tão difícil responder a uma pergunta tão simples? E isso que nem questionava a origem da vida, o surgimento dos bebês. Tudo o que eu queria era apenas saber a idade!
Curiosamente, lembrei disso tudo esses tempos, quando tentava lembrar os anos de vida dos meus afilhados. "O Felipe nasceu em 2004. Não, nesse ano foi a Ana. O Felipe nasceu em 2006. Então ele deve ter sete. Ah, ele vai fazer sete em dezembro. É isso. E o Guilherme?".
Preciso, urgentemente, organizar um caderno de nascimentos.
Vó, pai, mãe, desculpa aí! Na próxima eu ajudo a contar nos dedos. Na próxima, prometo, peço um pouco mais de paciência. No meu aniversário.
***
Toda vez que o aniversário de alguns dos meus tios se aproximava, toda angústia ressurgia das cinzas. Minha incapacidade (ou preguiça master) de anotar a data de nascimento deles, ou a falta de memória, complicava a situação, ano após ano. Ah, como era difícil.
O problema todo, na verdade, estava no momento em que não restavam mais saídas. Era preciso perguntar para a vó, para a mãe, para o pai. Eles simplesmente não conseguiam responder prontamente, de forma rápida, prática. E isso me tornava um ser impaciente.
Sempre, mas sempre mesmo, começavam as divagações. "Bom, eu nasci em xxx. Teu tio é cinco anos mais velho que eu e dois mais novo que teu outro tio". E assim o dia seguia. Começavam a falar, falar, falar. Procuravam respostas, começavam a conversar com o vizinho, lavavam roupa, cortavam a grama, faziam bolos, colhiam laranjas, recorriam à calculadora. Mas a resposta? Nada.
Como poderia ser tão difícil responder a uma pergunta tão simples? E isso que nem questionava a origem da vida, o surgimento dos bebês. Tudo o que eu queria era apenas saber a idade!
Curiosamente, lembrei disso tudo esses tempos, quando tentava lembrar os anos de vida dos meus afilhados. "O Felipe nasceu em 2004. Não, nesse ano foi a Ana. O Felipe nasceu em 2006. Então ele deve ter sete. Ah, ele vai fazer sete em dezembro. É isso. E o Guilherme?".
Preciso, urgentemente, organizar um caderno de nascimentos.
Vó, pai, mãe, desculpa aí! Na próxima eu ajudo a contar nos dedos. Na próxima, prometo, peço um pouco mais de paciência. No meu aniversário.
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