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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Beleza de vida

Lembro dos tempos de escola com carinho, mas tem algo que ainda machuca. Não recordo ao certo a série, se foi na 3ª ou na 4ª, mas de repente começaram a surgir na sala de aula os temidos rankings de beleza. Era o meu inferno, a minha tristeza permanente.

De quando em quando, as malditas perambulavam entre os colegas. As meninas deviam listar, do primeiro ao último, o menino mais lindo até o mais feio. E eles tinham a mesma missão. De dezessete, quinze ou até mais gurias, quem sempre ficava entre as últimas? Eu, Heloísa Letícia.

Queria fugir, matar quem havia inventado aquilo, queimar, estraçalhar em mil pedaços todas as folhas de caderno. Mas não dava. Durante toda a manhã era preciso engolir a seco. Malditos! O sofrimento, a dor ainda se prolongava durante a tarde e a noite. Chegava em casa triste, chorava, me olhava no espelho tentando entender, encontrava defeitos que não existiam, notava os que existiam. Nada consolava.

Para piorar tudo, ainda vinha a mãe dizer que eu não era feia, que eu era linda. Mas aí, amor materno deixa achar filho horrível, com cara de E.T? É difícil.

***
E o ritual maquiavélico continuava dia após dia. Apelidos, risadinhas, deboches. Assim, vários episódios se arquivaram na memória. Então, nunca esqueci:

*quando uma amiga decidiu mostrar, durante a aula, o vídeo dos 15 anos: TODOS riram quando apareci na fita (ainda não existia DVD). Minha gordurinhas, e talvez a roupa, foram o motivo para tanto;
* quando eu subia as escadas do colégio, um colega descia, e fazia menção de susto:  "cruzes, que coisa bem feia";
* quando descobri que três "melhores amigas" havia me apelidado de "bolota";
* quando um menino passou uma festa toda me "cantando" e só depois percebi que ria da minha cara";
* e por aí vai.

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Já vi muita gente falar no tal bullying. Não sei se é meu caso, mas dessas situações desagradáveis vividas no Ernesto Alves, muitas marcas ficaram. Minha auto-estima até hoje sente os reflexos. Aos 14 anos entrei numa depressão profunda. as espinhas e os quilos a mais foram testemunha. Me achava a mais horrível de todas as pessoas.

Não tinha coragem de encarar qualquer pessoa, ir às festas de 15 anos, sair para tomar um simples sorvete, contar que gostava de algum garoto. Tudo isso ainda me acompanhou por longos anos (para ser sincera, ainda acompanha). Um pouco da insegurança que carrego hoje pode ser fruto disso. (Desconfio que sim.).

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Diante da feiura proclamada, resolvi ser bonita por dentro. Me esforcei ao máximo. Na escola, confesso, tinha muitos amigos, ria bastante e tentava ajudar a todos. Sentia pena daqueles que eram vítimas do mesmo problema, e me solidarizava. Tentava, com todas as forças, ser legal.

Aos 16 anos entrei num grupo de reeducação alimentar e finalmente perdi os indesejados quilos. Mais tarde, já na universidade, comecei a trabalhar. De posse dos primeiros "trocos", comecei a comprar, aos poucos, roupas, perfumes, cremes. A independência permitia que eu me cuidasse mais.

Depois, ainda realizei terapia, sendo um dos assuntos principais a recuperação do amor próprio. Era preciso, mais do que nunca, mudar o cenário de sofredora, cheia de lembranças ruins daqueles anos de estudante. Hoje, continuo na luta diária para não cair em novas armadilhas.

A diferença daqueles anos, no entanto, é que aprendi a gostar de mim. Faço academia, dança, compro roupas, saio à noite, tiro fotos - e gosto delas. Eliminei boa parte da vergonha. E, sempre ao me olhar no espelho, procuro achar toda a beleza que há, assim como existe em cada ser. Mantenho o foco, a força e a fé naquela máxima: "se eu não me amar, quem vai?".

A vida segue. Um trauma para ser superado de cada vez.

Ensaio fotográfico realizado em janeiro é parte da nova Heloísa

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Agora vai

Sempre gostei de fazer compras com minha mãe. Não pelo fato de ganhar presentes, mas para poder brincar de ser vendedora. Diante da falta de vontade e da preguiça de muitas atendentes, sempre me saía bem nas investidas. Gostava de procurar pela melhor peça, pelo melhor preço.

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Sou daquelas que precisa de uma tarde inteira dentro de uma loja para achar algo que realmente agrade. Não basta revirar somente uma arara. É preciso garimpar em cada canto, farejar a grande aquisição.

Nesse tempo, também aprendi que bom atendimento não se acha tão fácil como deveria. Além de caras feias, falta de simpatia, ainda há aquelas terríveis perseguições dentro do estabelecimento. Devia ser promoção: "enquanto se escolhe uma blusa ou calça, aproveite para se sentir um ladrão".

Ainda no comércio, que não é só de caras feias (felizmente!), ficava imaginando como seria se eu pudesse fazer tudo aquilo. O que o manequim iria vestir? Como seriam as promoções? E o atendimento? E a decoração temática, trocada de mês em mês? Ah, criatividade, muita criatividade.

O engraçado disso tudo é que jamais imaginei ter o próprio negócio. Sentia prazer no fingimento, mas não enxergava a o óbvio. Em 2012, então, enquanto o mundo não acabava, o destino se encarregou de tornar o divertimento em coisa séria. Tudo isso sem perder o riso, os planos e os sonhos, grandes e verdadeiros.

Ps.: visite www.facebook.com/BrechodaLolo e entenda mais o sentido deste texto.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Doce de leite

Todas as noites no Rincão da Serra eram de uma magia espetacular. Tudo começava ainda à tardinha, quando dona Lydia invadia a cozinha com todo o seu pique de mãe, mulher, avó e dona de casa. Na pia, ao lado do fogão à lenha, dava forma as mais diversas e deliciosas comidas. Lavava pratos, enxugava outros. Tudo sempre ao olhar atento do seu Walter, que permanecia sentado, acompanhado do chimarrão servido com a água fervente esquentada no fogão à lenha.

Todo o ritual, porém, era interrompido para mais uma atividade diária. Uma das que eu mais gostava, diga-se de passagem. De galochas, um balde na mão, a vó seguia até a estrebaria. Lá, as vacas já faziam fila no potreiro, ávidas por encontrar seus bezerros. Eu, contente, imergia no prédio e torcia, por dentro, para que a noite nunca mais se acabasse.

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Dentro do galpão de madeira velha, duas gerações se encontravam na lida campeira. Entre uma dezena de gatos, e um punhado de estrelas, a Lydia ouvia todas as histórias e causos que eu poderia contar. De vez em quando, para minha alegria, ainda deixava eu experimentar e vivenciar algo único: tirar o leite. Em instantes, das pequenas mãos surgiam gotas brancas, puras, abençoadas. Do momento, surgiriam eternas lembranças.

Felizmente ainda era minha a tarefa de colocar o pasto, a mandioca e, talvez, as espigas de milho nas cocheiras. No auge dos meus três, quatro, cinco anos, também aprendi a passar a corda por entre os chifres e endireitar o animal com uma madeira roliça e comprida que ia ao lado direito do corpo, evitando assim movimentos bruscos.


***

Entre as tábuas velhas e o chão batido tudo era encantador demais. Enquanto minha avó se revezada entre três, quatro vacas eu experimentava o sabor de viver na roça. Às vezes, durava apens alguns dias, ou semanas. O aprendizado, no entanto, jamais foi esquecido.

Depois de tudo pronto, baldes cheios de leite, bichanos ansiosos por gotinhas que escapavam, eu abria o portão de madeira, soltava as cordas e libertava as vacas para viver no campo. Seguiam, uma a uma para o campo verde, extenso, cheio de trilhos marcados pela carroça. Era a despedida de mais um dia...

Hoje, sinto saudades da Negrita, da Mimosa e de tantas outras. Sinto saudades do velho galpão e da vida de criança. Mas também sinto alegria. Só sente saudade quem já viveu bons momentos nessa vida.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

De porcelana

Uma rápida passagem, um breve registro. Eis, aqui, a primeira grande boneca da minha vida de empresária. Linda e frágil como ela só, deve divertir, encantar e apresentar aos clientes do Brechó da Lolô os mais belos produtos. Missão que será exercida com o maior prazer, é claro, assim como todos os envolvidos no empreendimento sempre fazem.

Os dias e as semanas têm passado rápido demais, mas não dava para deixar o momento passar em branco. Além dela, é claro, um gatão também promete fazer os mais diversos corações suspirarem (confere no Face do brechó). Alegria, alegria. Há muito mais para comemorar nessa nova vida!