O sonho da minha vida sempre foi ter uma casa na árvore. Melhor, ainda é. Nos últimos tempos, todas as vezes que admiro galhos deixando as folhas voarem, no Rincão da Serra, também me deixo levar com elas. Sigo para longe e imagino.
Sinto meus pés percorrendo a escada de madeira, me levando até o alto. Aquele cheiro de rusticidade, aquela magia de parecer ser criança novamente. Mesmo que fantasia, a possibilidade de sentir todas essas emoções, de verdade, já determinaram um dos tantos objetivos que ainda tenho pela frente.
Assim, apenas dois meses distante dos meus 27 anos, posso afirmar: ainda terei o prazer de ter a casa própria. Só que na árvore. Aí terá forma, finalmente, a promessa que meu padrinho fez quando eu ainda era carregada no carrinho de mão; quando aprendi, na marra, que não seria tão fácil concretizar um sonho; quando aprendi que promessas, por muitas vezes, são apenas promessas.
Quando eu abrir a porta da minha casa nas alturas, poderei ver as sombras de cima. Descalça, pretendo ficar lá em cima por horas, dias e noites. Quero fingir tocar as estrelas, deixar que o céu me cubra de toda a positividade possível, que os sons do mato (nem mais tão mato assim) possam ser escutados entre outros barulhos ou no silêncio.
Que a inauguração da minha casa na árvore ocorra em um dia eterno, cheio de pássaros ao redor. Não levarei nada para enxugar as lágrimas, pois quero que experimentem a adrenalina de cair até o chão, sem paraquedas. Serei totalmente liberta.
Na verdade, não sei se levarei algo. Creio que não haverá espaço. Na concretização de mais um sonho, possivelmente, caberá apenas toda minha emoção, toda minha comoção.