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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Pela sombra

Um vendaval pode levar muitas coisas. Às vezes não dá nem para contar. Leva alegrias, sonhos, esperanças. Aquilo tudo que traz, por vezes, não faria falta nenhuma. Afinal, alguém precisa de desolação?

Lá no Rincão o vento decidiu dar fim a um ciclo. Com ele se foram anos. A história, de repente, interrompida. O vendaval, com toda sua intensidade, não viu outra alternativa senão jogar ao chão a velha árvore. Ela, sem se dar conta, já nem vivia mais. Apenas estava lá.

O olhar, então, ficou paralisado. Dos galhos do cinamomo brotavam as bolinhas para a guerrinha com os tios; do tronco o suporte para os negócios; da sombra, as melhores imagens; do todo a constituição de uma paisagem que, hoje, deixa saudades.

Ah, o vento. De um dia para o outro a árvore não está mais lá. Não deu nem tempo de preparar despedida; de posar para a última foto; de consultar gerações. Difícil se acostumar com o novo... 

O dolorido, contudo, ameniza dia após dia. Mudar até pode doer, mas novos planos (alegres) são necessários. No lugar do vazio, porém, brotam anseios. Que sejam de amanhãs mais floridos, de raízes mais consistentes.



sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Seguindo a canção

Aos vinte e cinco anos somo quatro relacionamentos sérios (adotando a classificação do Facebook). Nunca comecei algo imaginando o fim. Mas hoje, olhando tudo o que já fiz, e aprendi, creio que todos os términos foram bons. Com o passar dos anos amadureci demais, moldei meu olhar. Hoje, sou outra Heloísa. Às vezes, ao olhar no espelho, nem me reconheço. 

Apesar de já estar cinco meses de volta ao mundo dos solteiros, muita coisa ainda soa estranho. É o velho processo de mudança que incomoda muitos, e taurinos em especial. Na avaliação retrospectiva: não lamento nada. 
 
É preciso ter coragem para correr atrás daquilo que faz bem. Parece fácil, mas não é. Viver sozinho, para a surpresa de alguns, pode ser muito mais interessante do que viver acompanhado. No fundo, tudo tem seus prós e seus contras. O importante, contudo, é não deixar que os outros decidam o que é melhor ou quem é melhor. 

Aquele velho ditado resume tudo: "antes só do que mal acompanhado". Amor próprio em primeiro lugar!

***
 
Afinal, o que foi que aprendi?

*Não comece algo por começar. Comece mesmo, de verdade, se quiser levar adiante. Se o único propósito for o de fazer o outro feliz;
* Sentiu vontade de trair? A vontade não passa? Termine. Há coisas que não valem a pena mesmo;
* Seja corajoso. Sempre;
* Nunca impeça o parceiro de fazer coisas que lhe deixam feliz (desde que sejam saudáveis);
* Nunca deixe de fazer nada (de bem) por causa do seu parceiro;
* Não se anule. Jamais ature coisas achando que elas vão passar. Com o tempo só piora;
* A convivência mostra quem a pessoa é. E no fim do relacionamento você ainda pode conhecer mais;
* “Amor” é algo difícil de definir. Ele se manifesta de várias formas. Tem vezes que não tem jeito. Não era amor mesmo;
* Namore um feio, um pobre, mas nunca um ignorante;
* A família do seu namorado será a sua também;
* Se a pessoa termina com você e logo começa um relacionamento, das duas uma: ou ela não te amava, ou não ama o novo "amor";
* Namorado não é uma coisa de extrema necessidade para se viver. Às vezes, sozinho, você é mais feliz ainda;
* Tudo se ajeita;
* Seja sempre você mesmo;
* Não se esqueça dos seus amigos;
* A pessoa te deixa pra baixo? Chute nela!
* Coloque defeitos e qualidade na balança. E aí, quem vence?
* Aconteça o que acontecer tente absorver as coisas boas. Por mais difícil que seja;
* Você PRECISA achar seu parceiro lindo, gostoso e tudo de bom. Admiração e respeito acima de tudo. Perdeu isso? Já era!
* No fim descobriu que ele era um idiota? Compre um João Bobo e pratique o soco.
* Namore alguém que te faça sorrir e que você goste de conversar;
* Tenha outros passatempos a não ser namorar;
* Dê o seu melhor, mesmo que, depois, você descubra que a pessoa não merecia. Quem faz o bem, recebe o bem. Mais cedo ou mais tarde;
* Não dá para sentir mágoa de quem não te magoou;
* Não namore alguém que sempre sabe de tudo, que sempre tem a razão;
 
Outra dica importante para quem está do lado de fora:
* Nunca tome partido, mas, se for para tomar, procure saber a versão dos dois lados.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ê saudade

Faz quase um mês que decidi, de uma hora para outra, revolucionar minha vida. Foi, então, quando alguns sons começaram a me perturbar. Às vezes, o mais silencioso deles é, também, o mais perturbador. E quanto mais o tempo passa, mais estridentes ficam.


É incrível, mas o som da chave do velho armazém no Rincão da Serra, ao girar na fechadura, causa uma sensação estranha demais. Começo a pensar em abrir as portas usando tampões. Dói demais.

O dilema já começa ao pegar o chaveiro na bolsa. Em frente à velha porta verde preciso tomar cuidado e coragem. Antes que ela se abra sinto a necessidade de engolir seco - e de segurar lágrimas. Após abrir a mesma passagem por anos e anos só agora o coração aperta, se contrai todo. Eita, destino irônico esse.

Mas há, sim, uma explicação.  Ao entrar no prédio os pés começam a trilhar o sonho possível. Aos poucos os olhos percorrem cada detalhe. Tudo o que foi construído em tão pouco tempo. Cada prateleira, cada peça de roupa, cada sinal de dedicação... Ah, tudo diz tanto. Impossível pedir que outros compreendam.

Em meio às araras e aos manequins as lembranças vêm. Quantas coisas boas vivi no Brechó da Lolô. Quantas pessoas, quantos momentos, quantas risadas, quantas loucuras. Nos cabides, cartazes ou até mesmo nos pequenos reparos visualizo muito mais. Mas antes de ver, sinto. E sabe de uma coisa? Já estou com saudades. 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Mais uma vez

Existem dias que marcam pela intensidade com a qual se desenrolam. São esses acontecimentos que garantem atenção especial, a cada ano, quando surgem no calendário.

Há exatos dois anos lembro do meu entusiasmo gigante. Vivia uma boa fase: solteira, tranquila e feliz. Após alguns torpedos no celular, passei o dia inteiro esperando pela noite. Sem imaginar, quando acordei no dia 23 de setembro de 2011 estava a poucas horas de iniciar uma nova história. Foi, então, quando beijei pela primeira vez o meu quarto ex-amor. A primeira paixão "eterna".

No ano seguinte, em 2012, o 23 de setembro marcou o penúltimo dia da realização de um sonho. Era o domingo para aproveitar os últimos passeios pelo Rio de Janeiro. Os passos apressados não deram conta de tudo. Cristo Redentor, Jardim Botânico, Forte de Copacabana, Centro Histórico... A saudade do Sul aumentava, mas a vontade de conhecer cada pedaço da Cidade Maravilhosa era maior ainda.

Hoje o 23 de setembro bate à porta. Tudo rápido demais. Na tarde nublada, nada digna de primavera, lembro de escrever essa retrospectiva. Coincidência ou não, o ciclo quase se iguala ao de 2011: tranquila, feliz e só.

Ainda parece cedo, mas já não é. Por enquanto a data tem tudo para não me surpreender como das outras vezes. Depois de um fim de semana agitado e cheio de emoções, a verdade é que preciso, somente, de um início calmo e descansado.

Entre um gole e outro de café, no entanto, compreendo o inevitável. Se eu quiser, se eu fizer, esse dias não passará despercebido. E pareço estar com sorte. Ainda tenho algumas horas para tentar e fazer o diferente. Quem sabe este texto seja apenas o início. ;)

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Mas se eu bebo?

Recentemente soube de uma história triste. Quisera eu que ela jamais tivesse sido construída, que suas páginas fossem queimadas sem rabisco algum. Mas entre o querer e o poder há uma distância sem igual. (...)

Num domingo chuvoso, segui até o interior de Vera Cruz na companhia da minha mãe (não vou ser muito específica para preservar os envolvidos). Quando cheguei na casa, cumprimentei as pessoas e percebi seus olhares já notei o mal da família.

Os olhos claros da mãe e das crianças constrastavam com a vermelhidão do olhar paterno. Os meus olhos, já treinados para algumas situações, logo viram o que não queriam ver.

Enquanto eu relembrava de próprios momentos ruins vividos, a garrafa de cerveja se esvaziava na mesa em frente. Depois surgia outra. E mais outra. E mais outra. Ah, a arte de não se conter diante das tentações. A arte de não ser "macho" quando é preciso.

Na hora da partida, já dentro do carro, no caminho de volta para casa, a notícia: as noites não dormidas; os tapas e socos; os objetos quebrados; o "erro" na hora de urinar; a solidão; o medo; a angústia; a vida ingrata do quarteto que se iguala a um sem número de viventes. Terrível, terrível demais.

Não há como ficar indiferente. Não há como não sentir dores no peito, na alma, no inconsciente. Malditos sejam os vícios. Coitados aqueles que não conseguem dar valor às coisas boas e realmente valiosas dessa vida.

Quando uma ação desencadeia as piores reações, como o choro, a tristeza, a insegurança... Como o prazer de beber pode ser tão maior que o amor pela família, pelos filhos e por si mesmo?

Mais dolorido do que conhecer histórias como essa é viver, mesmo que de forma mais amena, as mesmas situações e compartilhar os mesmos sentimentos (doentes, por sinal). Mais dolorido ainda é ser trocado, tantas vezes, por um fardinho de cerveja. A companhia não vale nada, mas o gole vale tudo.


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O som do asfalto

Minhas férias escolares sempre foram sinônimo de Rincão da Serra. Lembro de contar os dias para poder passar mais tantos outros na casa da vó e do vô. Era lá, no interior de Vera Cruz, minha verdadeira escola. Até hoje não sei qual o motivo para tanto amor. Talvez a paixão por aquelas terras seja fruto de outras vidas; ou dessa aqui mesmo. O amor, porém, é a única certeza.

Depois de correr pelos campos, de brincar com os gatos, de ajudar (ou atrapalhar) na lida com porcos, galinhas e vacas eu sentia o sol se esconder. Mesmo diante de toda aquela beleza, mista em árvores e campo, uma tristeza invadia meu coração. Era o fim de mais um dia. E eu jamais gostaria que qualquer dia lá tivesse fim.

Foi, então, no poente que aprendi a ouvir os sons do asfalto (o da RSC 287, para ser mais específica). E com todas as minhas forças, sempre os detestei. Não pelos ruídos, não por problemas de audição. Talvez odiasse, tivesse raiva pelo simbolismo.

Caminhões, carros, motos, ônibus cantarolavam saudade. Na estrada seguiam caminhos cheios de certeza e  incertos até a linha de chegada. Meus pequenos olhos castanhos visualizavam angústias de gente grande, ainda que fossem infantis.

Hoje, quando estou no Brechó da Lolô, ou quando aproveito os dias na companhia da família, no Rincão, me incomodo da mesma forma com o barulho dos horizontes negros. Agora, se não bastasse, são três asfaltos para cruzar meus pensamentos. Neles, o som. O medo do incerto. O fim do dia. O passar dos anos.

Nos sons do asfalto o próprio silêncio. Nos sons do asfalto está, muitas vezes, aquilo que não gostaria de ouvir.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Amor de abajur

Depois um fim de semana agitado, encontrei um tempinho para abraçar as cobertas, no domingo. Quando sentei na cama, pronta para cair no sono, senti um olhar saudoso. Era ele: o abajur. Quando o vi no canto, paradinho sobre a escrivaninha, sentindo falta de brilhar me dei conta do quanto havia abandonado o pequeno.

Logo ele foi ficar de lado. Tão lindo, roxo, rosa, emoldurado de forma artesanal em cano de pvc, de paisagem deslumbrante, vindo lá das bandas de Santa Catarina... Coitado do abajur. Fazia uns dois meses que estava apagado, quase entrando em depressão.

É engraçado como tudo nos faz lembrar dos amores perdidos, logo que se perdem. E com o abajur não seria diferente. Ele era testemunha das horas que eu e o Vagner dedicávamos para compartilhar sonhos, projetos, medos, conversas, lágrimas e todo o amor que tínhamos (reforçando bem o verbo).

Mas ontem decidi fazê-lo brilhar mais uma vez. Fiz as pazes (sem nem ter rompido) com o abajur. O perdoei por trazer tantas lembranças. A luz, dessa vez, iluminou o quarto de uma maneira diferente. Todos os pontos, brilhantes nos armários, no teto e nas paredes, fizeram renascer sonhos. Desta vez sozinhos, sim, mas cheios de luz.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Qual é a idade?

Faz quase um mês que não apareço por aqui. Lamentável. Horrível. É quase inaceitável não ter o que falar. Todos têm algo a dizer! Talvez o problema esteja nos últimos acontecimentos pessoais. Às vezes o silêncio é o melhor texto, a melhor resposta, a colocação mais adequada.

***

Toda vez que o aniversário de alguns dos meus tios se aproximava, toda angústia ressurgia das cinzas. Minha incapacidade (ou preguiça master) de anotar a data de nascimento deles, ou a falta de memória, complicava a situação, ano após ano. Ah, como era difícil.

O problema todo, na verdade, estava no momento em que não restavam mais saídas. Era preciso perguntar para a vó, para a mãe, para o pai. Eles simplesmente não conseguiam responder prontamente, de forma rápida, prática. E isso me tornava um ser impaciente.

Sempre, mas sempre mesmo, começavam as divagações. "Bom, eu nasci em xxx. Teu tio é cinco anos mais velho que eu e dois mais novo que teu outro tio". E assim o dia seguia. Começavam a falar, falar, falar. Procuravam respostas, começavam a conversar com o vizinho, lavavam roupa, cortavam a grama, faziam bolos, colhiam laranjas, recorriam à calculadora. Mas a resposta? Nada.

Como poderia ser tão difícil responder a uma pergunta tão simples? E isso que nem questionava a origem da vida, o surgimento dos bebês. Tudo o que eu queria era apenas saber a idade!

Curiosamente, lembrei disso tudo esses tempos, quando tentava lembrar os anos de vida dos meus afilhados. "O Felipe nasceu em 2004. Não, nesse ano foi a Ana. O Felipe nasceu em 2006. Então ele deve ter sete. Ah, ele vai fazer sete em dezembro. É isso. E o Guilherme?".

Preciso, urgentemente, organizar um caderno de nascimentos.

Vó, pai, mãe, desculpa aí! Na próxima eu ajudo a contar nos dedos. Na próxima, prometo, peço um pouco mais de paciência. No meu aniversário.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Dada a largada

O badalar dos sinos anuncia mais uma disputa. Do lado esquerdo da igreja a vontade de vencer. Do outro lado, também. Em segundos, enquanto a música triste ganha o céu, passos apressados disputam medalha nenhuma. É o simples fato de chegar primeiro, de brincar, de inventar que move pequenos corações.

Os cabelos de meninas, soltos ao vento, acompanham os risos. E são tantos...

Enquanto a brincadeira não termina, na rua passam carros. Tristes, contrários à rapidez, sinalizam a linha de chegada. As flores, no alto, anunciam o cortejo. Enquanto as mocinhas se deliciam, do início ao fim do trajeto de corrida, lágrimas correm em rostos desconhecidos.

Para as meninas, morte ainda não tem sentido (será que tem para alguém?), não tem cor, não tem cheiro, não existe. Nas veias, corre apenas muita vida. Mas no pódio, entre primeiro e segundo lugar, resta mirar aquela melancólica fileira de carros.

Os sinos badalam e cansam. Na vida pulsante, misteriosa, nos olhares pequeninos (mas grandes) a chegada parece incompreensível. Tão delicioso receber a medalha dourada, tão dolorido carregar coroas lilás.

As cordas encerram a dança na torre da igreja. As rodas continuam a beijar os paralelepípedos, e se vão. As pequenas não se abalam. É muito cedo para isso. É muito triste. Aos poucos, sem ensaio, se inicia uma nova competição. Sem ensaio se mantém a pureza infantil.

* Memórias de Lolô

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Meu querido dorme-dorme

O velho portão, enferrujado pelo tempo, protege a planta. As estações mudam, o sol faz dia, a lua faz noite e o dorme-dorme permanece lá. Sobre a terra, ergue seus pequenos galhos e abre grandes horizontes.

Na calçada, em frente ao canteiro, pequenos pés se divertem com a esperteza da vida. As mãos, também pequenas, tocam nas folhas. Elas se fecham. É o singelo afago dos dedos, capaz de fazer com que os ramos adormeçam por um instante.

Presente, truque da  natureza à menina. Tios, amigos, pai, mãe. Todos são convidados a assistir o espetáculo do dorme-dorme. Plateia pequena. Grandes aplausos.

Enquanto a alegria se faz diante do verde, trabalhadores, crianças, carros, carroças e ônibus trilham suas vidas na marrom estrada de chão. Desenvolvem seus presentes rumo ao futuro.

Nem mesmo os passos apressados e as pedras soltas são capazes de minimizar a relação de amor entre a criança e a planta. O dorme-dorme se fecha, mas acorda. Faz pulsar o coração. Entusiasma a infância.

O tempo passa.

De marrom, a estrada agora é cinza. O velho portão enferrujado, também. As novas grades não puderam proteger o pequeno pé de folhas engraçadas. Enquanto isso, a menina cresceu. Teria ido a plantinha repousar no céu? Teria ela renascido em outro lugar, adubado esperanças?

Dorme-dorme nas lembranças. Dorme-dorme no toque das mãos. Dorme-dorme eterno, no coração.

*Memórias de Lolô

segunda-feira, 24 de junho de 2013

O riso sumiu

Meu avô materno sempre foi uma figura. Divertido, alegre, espontâneo, contrário à qualquer frescura. Sempre foi, também, muito teimoso. Muito mesmo. Quem conhece o seu Romeu sabe bem disso. 

Ao longo desses meus 25 anos, no entanto, vi que ele manteve a graça da teimosia, mas deixou de lado a sua alegria de viver. Inverteu valores. Fez tudo errado. Mudou onde não devia e permaneceu o mesmo onde não precisava.

Não sei bem quando isso aconteceu, mas meu vovô se tornou uma pessoa triste, cabisbaixa, sem sonhos. E era só disso que a depressão precisava. Tomou ele aos poucos. Não pediu licença e se tornou companhia diária na sala, na cozinha, no quarto, nas horas de sono. 

A malvada, enfim, conseguiu tomar por completo um homem bom. Aliás, bondade foi e ainda é uma das grandes virtudes dele. Não mede esforços para ajudar os outros. Se preocupa com o bem-estar da família e sofre, sofre muito, com cada dificuldade. Mesmo assim a deprê se fez soberana.


Foi, então, quando meu avô largou de mão, totalmente, o cara do espelho. O nascimento da neta mais nova, há dois anos, até fez com que ele ensaiasse novos sorrisos. Até deu novo tom de felicidade aos seus setenta e poucos anos. Só que não foi suficiente. 

Hoje, seu Romeu está doente. Não se sabe ainda ao certo o que acomete seu corpo. Sabe-se apenas o óbvio. O avô, grande apreciador de churrascos, de uma cervejinha, o apostador de loterias, o inventor de modas, o experiente caminhoneiro, o pseudo-engenheiro, o guri de Sinimbu dá sinais de que já desistiu de tudo. Tão jovem, mas tão velho nos seus ideais. 

Enquanto as linhas deste texto se formam, ainda tento encontrar motivos. Sorrisos não somem assim, tão fácil. Como pode? Talvez eu até saiba as razões. Talvez não queira enxergar. Como boa neta, entretanto, prefiro teimar e torcer para que o seu Romeu abra, de novo, as portas para a alegria.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Baleinha baby

Nessa onda de concursos, de novas cortes, embarquei e decidi contar a minha experiência. Tudo bem que esse blog, muitas vezes, parece meu querido divã. Mas tudo bem, também, que é importante saber lidar com traumas e outras coisitas más. Pelo menos eu tento.

Quando criança, minha família era sócia do Clube Aliança. Eu, minha mãe, meu irmão, minha tia, e por aí vai, éramos felizes frequentadores das piscinas. Época linda, boa, resfrecante. Foi ali, nos anos 90, que tomei uma terrível decisão: concorrer à Panterinha Baby.

Naqueles tempos, todos os clubes realizavam esses concursos. O motivo principal era escolher a rainha, adulta, que representaria a entidade no saudoso Rainha das Piscinas, organizado pelo colunista social Ike. Quem não lembra, não é mesmo?

Até hoje eu tento encontrar vestígios, rastros do que me levou a embarcar nessa. Não me conformo. Como meus pais puderam deixar que isso acontecesse? Era mais fácil, sim, muito mais fácil eu ganhar o Baleinha Baby!

Apareci no jornal, na página das candidatas. A família se reuniu para assistir o show. Vesti o biquíni (sim, eu tive coragem) rosa e verde e me fui. Sinceramente, não lembro, mas será que achei, em algum momento, que teria chances? Não. Isso só pode ser piada. Isso só pode ser um pesadelo! Infelizmente não é.

Até hoje guardo a página da Gazeta do Sul, sem falar nas fotos, expostas em álbuns de família, que assombram meu passado cruel. Ah, ainda teve o lindo comentário de uma concorrente, antes de ganharmos a passarela: "Olha só o tamanho da barriga dela. A minha é bem menor". Tudo bem, crueldade não escolhe idade, classe social e concurso de beleza muito menos (deviam ter me avisado que era um de magreza).

Os anos passaram e sempre levei isso na esportiva (apesar do pequeno trauminha, guardado no fundo do coração). Lá em casa todos riem, principalmente meu irmão. E todas as vezes que o assunto renasce das cinzas, pergunto para a dona Juliana como isso foi possível. Por qual motivo não me barraram? Por que não me impediram? Se fosse só a barriga, mas nem o cabelo ajudava!

A mãe ri, não querendo rir. Mas não há escapatória. Não há.

Ela não responde e eu tento entender: filhos são perfeitos sob a vista maternal. Podem ser o bichinho da goiaba, da maça ou do pepino, mas são lindos, maravilhosos. Os fatos estão aí.

Diante do meu fracasso evidente ela estava lá, na torcida, ainda preocupada em registrar, para a eternidade, o momento (aaaaaaah!!).  O que me conforta nisso tudo: pelo menos pra minha mãe posso ser qualquer coisa. De panterinha a baleinha vou estar um espetáculo. Sempre.

Salvem as mães!
Não encontrei a foto do desfile (obaaa!!), por isso segue a que saiu no jornal

sexta-feira, 7 de junho de 2013

"Danada vem que vem"

No Rincão da Serra, onde passo grande parte dos meus dias, há uma escola, a Dom Pedro II. Singela, com cercas novas, pátio imenso, abriga um pequeno número de alunos. De segunda a sexta é lá que eles têm a chance de fazer e ser história.

Aos cuidados de apenas uma professora (que é, também, merendeira, diretora, faxineira e sabe-se lá o que mais), imperam sonhos de reinados inocentes (?), distintos e cheios de juventude.

Nessa mesma escola, de onde florescem boas lembranças (aqui surgem mais histórias de minha linda infância), sons desconcertantes voam junto com os pássaros. Às vezes, quisera eu que não passassem daquele pátio, que voassem, literalmente, para bem longe. Vizinhos, no entanto, precisam conviver, nas alegrias e nas tristezas.

Pelas 15h 30, quando inicia o recreio, meninas e meninos se reúnem para cantar. É nesse momento, geralmente, que caio em desespero. O coro seria lindo, esplêndido, de arrancar largos sorrisos, não fossem as letras de funk. Isso mesmo: FUNK. Pequenos, no auge de seus sete, oito, nove anos cantam, em alto e bom tom, o que chamam de música.

Vai danada vem que vem
Rebola até o chão
Requebra que hoje
Eu quero ver bumbum mexendo
Vou pedir pro dj toca só pra te ver dançar
Vem pro meu mundo se acabar


E aquilo não sai mais da minha cabeça. Vira, mexe e remexe, causa estragos na sutil esperança de Heloísa. Crianças e funk, crianças e funk, crianças e funk. Nessas horas começo a torcer para que 1 + 1 = 3 esteja mais certo do que isso. Torço, de coração, para que aquela casa muito engraçada, sem teto e sem nada volte a ser construída por ali. Um dia.

A música do vídeo abaixo é outra que as crianças adoram. :O (!!!)


Ps.: claro que as preferências musiciais duvidosas não são exclusividade das crianças do Rincão.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Tempo, tempo, tempo: desapareça

Nos últimos meses tenho desenvolvido um hábito ruim. Todas as noites, quando me recolho, penso em tudo, menos em contar ovelhas ou imaginar anjinhos lindos no céu para conseguir dormir. Fico ali, ancorada sobre o colchão, me virando de um lado para o outro. Mais do que maltratar o travesseiro, crio feridas e buracos na alma. Penso em tudo o que não deve se pensar. Preocupações totalmente inúteis, mas não falsas.

Penso na a pressa do tempo.

As reflexões tornam-se ainda mais fortes diante de um aniversário. Meus tios, que pularam, correram e brincaram comigo, por tanto tempo, agora têm 50 anos. Daqui a pouco, bem pouco, terão 60. Ao mesmo tempo meus avós começam a dar sinais de que não são eternos. Tios e primos se tornam rancorosos diante das surpresas da vida.

E isso preocupa. Eu sei que é o curso natural da vida. Eu sei que nada posso fazer. Mas eu sei que isso me angustia. Demais.

Diante da timeline do Facebook não é diferente. A cada nova visualização um colega de aula casa, outro tem filhos, aquele outro se torna "doutor", mais um vira "gente grande". Sem falar, ainda, nos papais, mamães, vovós e vovôs de pessoas próximas que já se foram. Que se vão.

Talvez, algum leitor deste texto esteja pensando: "Ai, Heloísa, nem pensa muito nisso. Essas coisas nem se deve lembrar". Mas eu penso e gostaria de achar, no site de uma revista, receitas para parar com isso. Será o mal daqueles que têm 20 e poucos anos? Mas assim como eu ouvia na infância: até casar, sara. Quem sabe. Quem dera.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Das dores

Há coisas nessa vida que doem demais. Vão além do dedo esmagado na porta, da cólica, dos braços  após o primeiro dia na academia. Existem momentos em que as dores ganham o palco, a plateia e a cena. Corroem o estômago, apertam o coração e martelam a cabeça. A dor que sinto ao ter abandonado o blog, cerca de um mês atrás, nem se compara à outra.

Nada, afinal, pode ser tão dolorido quando à desistência. Não doi por não ter solução, mas justamente por ter. Ela existe, mas o que falta é a tal força de vontade. Ânimo para buscar o diferente, para lutar por algo melhor. Alegria de viver. Alegria de fazer. Alegria para não deixar morrer. (Que textinho mais auto-ajuda para começar o mês, hein?).

Abril começa, para mim, às avessas. Daqui a vinte e dois dias completo vinte e cinco anos. Mas, pelo peso nas costas que carrego, pareço já não ter mais tempo para nada. Não são as contas, não são os filhos, não são os deveres de casa. É aquela mania assustadora e enlouquecedora de querer ajudar todo mundo, de querer fazer o melhor por todos.

Aos poucos, enquanto planejo dias melhores nas vidas alheias, acabo por perder a minha. Teimosa, não consigo desistir de quem já desistiu de si, por mais que doa. E sofro, e choro, e atormento meus dias.

De vez em quando dá vontade de explodir, de fugir, de bater. Dá vontade de não ser eu por um dia, uma semana ou um mês. Dá vontade de morar na lua, de mandar todo mundo à m..., e pedir perdão pelos três pontinhos.

Enquanto dias tristes se aproximam, dou graças pelo blog me aceitar e ouvir tanta lamentação. Hoje o banho de sal grosso vai ser pouco. E entre mentiras e verdades, só peço que me contem boas histórias.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Beleza de vida

Lembro dos tempos de escola com carinho, mas tem algo que ainda machuca. Não recordo ao certo a série, se foi na 3ª ou na 4ª, mas de repente começaram a surgir na sala de aula os temidos rankings de beleza. Era o meu inferno, a minha tristeza permanente.

De quando em quando, as malditas perambulavam entre os colegas. As meninas deviam listar, do primeiro ao último, o menino mais lindo até o mais feio. E eles tinham a mesma missão. De dezessete, quinze ou até mais gurias, quem sempre ficava entre as últimas? Eu, Heloísa Letícia.

Queria fugir, matar quem havia inventado aquilo, queimar, estraçalhar em mil pedaços todas as folhas de caderno. Mas não dava. Durante toda a manhã era preciso engolir a seco. Malditos! O sofrimento, a dor ainda se prolongava durante a tarde e a noite. Chegava em casa triste, chorava, me olhava no espelho tentando entender, encontrava defeitos que não existiam, notava os que existiam. Nada consolava.

Para piorar tudo, ainda vinha a mãe dizer que eu não era feia, que eu era linda. Mas aí, amor materno deixa achar filho horrível, com cara de E.T? É difícil.

***
E o ritual maquiavélico continuava dia após dia. Apelidos, risadinhas, deboches. Assim, vários episódios se arquivaram na memória. Então, nunca esqueci:

*quando uma amiga decidiu mostrar, durante a aula, o vídeo dos 15 anos: TODOS riram quando apareci na fita (ainda não existia DVD). Minha gordurinhas, e talvez a roupa, foram o motivo para tanto;
* quando eu subia as escadas do colégio, um colega descia, e fazia menção de susto:  "cruzes, que coisa bem feia";
* quando descobri que três "melhores amigas" havia me apelidado de "bolota";
* quando um menino passou uma festa toda me "cantando" e só depois percebi que ria da minha cara";
* e por aí vai.

***
Já vi muita gente falar no tal bullying. Não sei se é meu caso, mas dessas situações desagradáveis vividas no Ernesto Alves, muitas marcas ficaram. Minha auto-estima até hoje sente os reflexos. Aos 14 anos entrei numa depressão profunda. as espinhas e os quilos a mais foram testemunha. Me achava a mais horrível de todas as pessoas.

Não tinha coragem de encarar qualquer pessoa, ir às festas de 15 anos, sair para tomar um simples sorvete, contar que gostava de algum garoto. Tudo isso ainda me acompanhou por longos anos (para ser sincera, ainda acompanha). Um pouco da insegurança que carrego hoje pode ser fruto disso. (Desconfio que sim.).

***
Diante da feiura proclamada, resolvi ser bonita por dentro. Me esforcei ao máximo. Na escola, confesso, tinha muitos amigos, ria bastante e tentava ajudar a todos. Sentia pena daqueles que eram vítimas do mesmo problema, e me solidarizava. Tentava, com todas as forças, ser legal.

Aos 16 anos entrei num grupo de reeducação alimentar e finalmente perdi os indesejados quilos. Mais tarde, já na universidade, comecei a trabalhar. De posse dos primeiros "trocos", comecei a comprar, aos poucos, roupas, perfumes, cremes. A independência permitia que eu me cuidasse mais.

Depois, ainda realizei terapia, sendo um dos assuntos principais a recuperação do amor próprio. Era preciso, mais do que nunca, mudar o cenário de sofredora, cheia de lembranças ruins daqueles anos de estudante. Hoje, continuo na luta diária para não cair em novas armadilhas.

A diferença daqueles anos, no entanto, é que aprendi a gostar de mim. Faço academia, dança, compro roupas, saio à noite, tiro fotos - e gosto delas. Eliminei boa parte da vergonha. E, sempre ao me olhar no espelho, procuro achar toda a beleza que há, assim como existe em cada ser. Mantenho o foco, a força e a fé naquela máxima: "se eu não me amar, quem vai?".

A vida segue. Um trauma para ser superado de cada vez.

Ensaio fotográfico realizado em janeiro é parte da nova Heloísa

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Agora vai

Sempre gostei de fazer compras com minha mãe. Não pelo fato de ganhar presentes, mas para poder brincar de ser vendedora. Diante da falta de vontade e da preguiça de muitas atendentes, sempre me saía bem nas investidas. Gostava de procurar pela melhor peça, pelo melhor preço.

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Sou daquelas que precisa de uma tarde inteira dentro de uma loja para achar algo que realmente agrade. Não basta revirar somente uma arara. É preciso garimpar em cada canto, farejar a grande aquisição.

Nesse tempo, também aprendi que bom atendimento não se acha tão fácil como deveria. Além de caras feias, falta de simpatia, ainda há aquelas terríveis perseguições dentro do estabelecimento. Devia ser promoção: "enquanto se escolhe uma blusa ou calça, aproveite para se sentir um ladrão".

Ainda no comércio, que não é só de caras feias (felizmente!), ficava imaginando como seria se eu pudesse fazer tudo aquilo. O que o manequim iria vestir? Como seriam as promoções? E o atendimento? E a decoração temática, trocada de mês em mês? Ah, criatividade, muita criatividade.

O engraçado disso tudo é que jamais imaginei ter o próprio negócio. Sentia prazer no fingimento, mas não enxergava a o óbvio. Em 2012, então, enquanto o mundo não acabava, o destino se encarregou de tornar o divertimento em coisa séria. Tudo isso sem perder o riso, os planos e os sonhos, grandes e verdadeiros.

Ps.: visite www.facebook.com/BrechodaLolo e entenda mais o sentido deste texto.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Doce de leite

Todas as noites no Rincão da Serra eram de uma magia espetacular. Tudo começava ainda à tardinha, quando dona Lydia invadia a cozinha com todo o seu pique de mãe, mulher, avó e dona de casa. Na pia, ao lado do fogão à lenha, dava forma as mais diversas e deliciosas comidas. Lavava pratos, enxugava outros. Tudo sempre ao olhar atento do seu Walter, que permanecia sentado, acompanhado do chimarrão servido com a água fervente esquentada no fogão à lenha.

Todo o ritual, porém, era interrompido para mais uma atividade diária. Uma das que eu mais gostava, diga-se de passagem. De galochas, um balde na mão, a vó seguia até a estrebaria. Lá, as vacas já faziam fila no potreiro, ávidas por encontrar seus bezerros. Eu, contente, imergia no prédio e torcia, por dentro, para que a noite nunca mais se acabasse.

***

Dentro do galpão de madeira velha, duas gerações se encontravam na lida campeira. Entre uma dezena de gatos, e um punhado de estrelas, a Lydia ouvia todas as histórias e causos que eu poderia contar. De vez em quando, para minha alegria, ainda deixava eu experimentar e vivenciar algo único: tirar o leite. Em instantes, das pequenas mãos surgiam gotas brancas, puras, abençoadas. Do momento, surgiriam eternas lembranças.

Felizmente ainda era minha a tarefa de colocar o pasto, a mandioca e, talvez, as espigas de milho nas cocheiras. No auge dos meus três, quatro, cinco anos, também aprendi a passar a corda por entre os chifres e endireitar o animal com uma madeira roliça e comprida que ia ao lado direito do corpo, evitando assim movimentos bruscos.


***

Entre as tábuas velhas e o chão batido tudo era encantador demais. Enquanto minha avó se revezada entre três, quatro vacas eu experimentava o sabor de viver na roça. Às vezes, durava apens alguns dias, ou semanas. O aprendizado, no entanto, jamais foi esquecido.

Depois de tudo pronto, baldes cheios de leite, bichanos ansiosos por gotinhas que escapavam, eu abria o portão de madeira, soltava as cordas e libertava as vacas para viver no campo. Seguiam, uma a uma para o campo verde, extenso, cheio de trilhos marcados pela carroça. Era a despedida de mais um dia...

Hoje, sinto saudades da Negrita, da Mimosa e de tantas outras. Sinto saudades do velho galpão e da vida de criança. Mas também sinto alegria. Só sente saudade quem já viveu bons momentos nessa vida.


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

De porcelana

Uma rápida passagem, um breve registro. Eis, aqui, a primeira grande boneca da minha vida de empresária. Linda e frágil como ela só, deve divertir, encantar e apresentar aos clientes do Brechó da Lolô os mais belos produtos. Missão que será exercida com o maior prazer, é claro, assim como todos os envolvidos no empreendimento sempre fazem.

Os dias e as semanas têm passado rápido demais, mas não dava para deixar o momento passar em branco. Além dela, é claro, um gatão também promete fazer os mais diversos corações suspirarem (confere no Face do brechó). Alegria, alegria. Há muito mais para comemorar nessa nova vida!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Entre céus

O canto insistente de um pássaro chamou minha atenção na quinta-feira passada, dia 24 de janeiro. Do alto do telhado, o animal parecia aflito. Afinal, um ser humano, com todas suas fragilidades, consegue distinguir a melodia feliz daquela triste e preocupada.

Diante da curiosidade e da dúvida, encontrei o motivo para tanta preocupação. Seu filho permanecia sobre os galhos do pingo-de-ouro, planta que forma um muro vivo nos fundos de casa. Ele, capaz de voar tão alto, estava ali, perto de todos os perigos, inclusive da astúcia de uma gata.

A luta, travada diante dos ensinamentos de um voo, não cessou. Se prolongou durante o fim do dia, da noite e do outro dia. Em casa já estávamos acostumados com o barulho, com o aprendizado e com a parceria. Todos os olhos, porém, estavam sempre atentos para qualquer investida da Missinha, bichana pra lá de caçadora.

E foi na sexta-feira, que a mamãe pássaro também apareceu na cena. Já em outro telhado, vigiavam o menino, recém saído do ninho. Agora, o jovem já havia voado mais longe. Assim, repousava sobre os galhos de um pequeno coqueiro, instalado num jardim próximo à piscina.

Ao mesmo tempo em que deslumbravam o céu, cheio de nuvens e de mistérios, o casal não tirava os olhos da cria. Quem dera poder ajudar, quem dera conseguir levar o filho nas asas, para o resto de suas vidas. Ah, mas quando é chegada a hora, voos precisam ser conquistados. É a liberdade gritando, a vida adulta iniciando sua corrida.

***
No domingo, dia tenebroso, macabro, a luta não continuou. De forma estranha o silêncio se fez. Papai, mamãe e filho pássaro não foram mais avistados.

No vizinho, na antena instalada no alto do telhado laranja, outra dupla chamou a atenção. Um pequeno passarinho preto seguia um sabiá. Eles não eram da mesma família, era evidente. Também não eram aqueles com os quais minha família se acostumara nos últimos dias. Formavam uma nova família, diferente, engraçada, iluminada.

Daqueles que alçaram voo, ou sumiram pelos céus, ficou a lembrança de um dia singular, cinza, sombrio e cheio de incertezas. Daqueles que se foram, ficaram outros pássaros. Únicos, perdidos, solitários, mas iguais e irmãos da mesma dor.

Foto: minha autoria

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Uma cama, please

Os últimos dias têm sido bastante agitados. Trabalho, família, brechó, dança e outros compromissos têm levado minha energia para tão, tão distante. Dormir tarde, acordar cedo e permanecer com sono o dia inteiro já virou rotina. Pareço reviver aqueles tempos judiados de faculdade.

Mas em meio a tanta função, ainda encontrei tempo, nessa semana, para promover um dia diferente. Assim como anunciei por aqui, meus primos se aventuraram lá por casa para uma noite do pijama e uma quinta da piscina. Mesmo que meu afilhado Felipe tenha escolhido ir para casa, a diversão não deixou de acontecer.

É engraçado como muitas coisas nessa vida se repetem. A Ana e o Gustavo são, agora, a Heloísa e o Eduardo que adoravam dormir na casa da tia recém casada com um tio muito divertido. Essa história, porém, conto outra hora. Agora estou sem energias.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Da garotada

Na noite de hoje, 23, vou reviver grandes lembranças. Daqui a pouco, crianças levarão, lá para casa, toda a magia que só elas têm e sabem distribuir. A Heloísa aqui, sempre apaixonada por dormir na casa de tios, avós e dindos, nos tempos de infância, vai ter que cuidar (que responsa!) de dois primos e um afilhado, filhos dos irmãos mais novos do meu pai.

Toda a família está animada para receber a trupe. O Vagner vai ficar encarregado das palhaçadas - o que não será difícil para ele -, a dona Juliana será a cozinheira oficial e o Eduardo, meu irmão, o carinha que manja de jogos no play e de computador.

Será apenas uma noite. Mas assim como eu, espero que lembrem dessa "folia" por muito tempo.

Gustavo, Ana Cláudia e Felipe: o trio parada dura

Ps.: amanhã, provavelmente, estarei sem energias para escrever.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Abençoado

Depois de fechar as portas do Brechó da Lolô, no sábado, cansei. O sono bateu e ficou por ali, do meu lado, no caminho de Vera Cruz a Venâncio Aires (RS). Foram quase 30 minutos lutando, lutando, lutando e perdendo. Quando cheguei ao destino, então, fui nocauteada. Novo destino: a cama. 

Após passar três horas sobre o colchão e sob as cobertas, acordei. O primeiro desejo, no entanto, foi saber qual seria a próxima hora de ir dormir. Será que isso é mal de taurino ou de família?

Além de mais algumas horas de sono, desejei que o domingo fosse frio, aconchegante e que tivesse gostinho de café. Pelo mais milagroso dos milagres, alguém lá de cima resolveu me atender. Que delícia de dia o de ontem, né?

Para fechar com chave de ouro, ainda visitei, ao lado do namorado Vagner, as instalações do Rancho América. A loja de antiguidades, na RSC 287 (próxima ao Natura Motel), é um luxo só. Dá vontade de comprar tudo, apesar do meu bolso não estar à altura dos preços.

Mas o melhor de tudo foi o cappuccino que experimentei por lá. Valeu cada centavo! (Ainda sinto o gostinho na ponta da língua). Mais tarde, quando deitei novamente, adivinha com o que eu queria sonhar? Para toda delícia sempre deve haver um bis. ;)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Ativar!

Doeu, mas doeu muito deixar o blog de lado na reta final do ano. Que tristeza! Depois do Brechó da Lolô - especial de Natal (que foi um sucesso) o tempo voou. Passou rápido demais. Entre confraternizações de fim de ano, mais edições de brechó e diversos outros compromissos, me vi sem tempo de escrever uma linha sequer.

À tarde, enquanto trabalhava, fazia planos de escrever posts ao chegar em casa, à noite. O cansaço, porém, sempre vencia. Foi grande a frustração, confesso. Justamente no mês mais legal do ano, justamente quando tinha váááárias coisas para contar aqui, recebi "nãos" ao pedir empréstimos de minutos ao relógio.

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Mesmo que minha pequena mania de choramingar não tenha passado, o ano de 2012 já se foi - e faz tempo. Agora, no novo ano, pretendo manter o blog lindo, atualizado e saltitante, assim como era antes (momento "eu me amo"). Ah, alerto para possíveis posts seguidos sobre o mesmo assunto: Brechó da Lolô, o grande projeto de 2013.

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Por falar nele, abaixo registro de mais um quadro que vai enfeitar a seção infantil. Hoje, olhando para os guardados do armário, em meu quarto, não hesitei e decidi levá-lo ao Rincão da Serra. A foto da menina que passava dias na casa dos avós, no interior de Vera Cruz, agora vai figurar pelo mais novo empreendimento da localidade. Projeto sonhado e idealizado pela mesma menina.