*Texto de 22 de janeiro de 2015
Tenho medo da
velhice. Mesmo que a vida por lá possa ser bem bacana, tenho medo. No passar
dos dias, contudo, procuro não pensar muito nisso. Tento focar naquele lance de
aproveitar o hoje, sem se ocupar muito com o que vai me acontecer láááá para
frente. Afinal, nem sei como é ser, na pele, idoso (ainda posso usar esse
termo?). Não sei mesmo...
Quanto ao
assunto, porém, posso afirmar que soa bem estranho ouvir que seu cachorro se
tornou um “velhinho”. Foi exatamente o que escutei, ao lado da minha mãe e do
meu irmão, na segunda-feira, da médica veterinária. Sabe aqueles dias que você evita
pensar, justamente, para que não chegue? Pois, é.
O fato é que
chegou a hora. O Zeus, bebezinho em dezembro de 2005, cresceu e agora faz parte
da galera dos bailes da melhor idade. Apesar de ter levado uma espécie de soco
quando perguntei sobre a expectativa de vida (os grandes cães chegam, em média,
até os 14 anos), torço muito para que nada daquela conversa tosca tenha
invadido os ouvidos do Zeuszulino.
Acredito que, se
ninguém disser a ele, o totó vai continuar agindo como um menino. Apesar de
algumas enfermidades estarem chegando para a temporada de férias, ele precisa
manter a mente jovem. Não é assim que contam os segredos para levar a vida de
boa?
Ele vai
continuar se exercitando, correndo atrás de raposas, lebres, lagartos e
caminhões de leite; vai manter os “olás” cheios de energia que nos oferta
quando chegamos à chácara; vai continuar sendo o guri vistoso que o entregador
de pizza amou desde o primeiro instante; vai continuar a teimar, como bom
Dobermann que é. Ele só vai começar a comer ração Sênior... E isso, pois
recomendações médicas precisam ser seguidas.
Prometo, até,
parar de chamá-lo de meu “véio”, de notar os pelos brancos que crescem desesperadamente,
de contar nos dedos os aniversários (até porque depois desse ano vai faltar
mesmo). Pode até ser que meu egoísmo de “mãe” esteja florescendo. Mas só quero
que ele não pare de ser esse adolescente, de me ensinar um tanto de coisas novas
todos os dias.
E que ele
continue fugindo de mim quando quero medicá-lo. Afinal, toda essa rebeldia e
arte deixam claro: a idade não importa. Há almas que jamais envelhecem.
