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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Dada a largada

O badalar dos sinos anuncia mais uma disputa. Do lado esquerdo da igreja a vontade de vencer. Do outro lado, também. Em segundos, enquanto a música triste ganha o céu, passos apressados disputam medalha nenhuma. É o simples fato de chegar primeiro, de brincar, de inventar que move pequenos corações.

Os cabelos de meninas, soltos ao vento, acompanham os risos. E são tantos...

Enquanto a brincadeira não termina, na rua passam carros. Tristes, contrários à rapidez, sinalizam a linha de chegada. As flores, no alto, anunciam o cortejo. Enquanto as mocinhas se deliciam, do início ao fim do trajeto de corrida, lágrimas correm em rostos desconhecidos.

Para as meninas, morte ainda não tem sentido (será que tem para alguém?), não tem cor, não tem cheiro, não existe. Nas veias, corre apenas muita vida. Mas no pódio, entre primeiro e segundo lugar, resta mirar aquela melancólica fileira de carros.

Os sinos badalam e cansam. Na vida pulsante, misteriosa, nos olhares pequeninos (mas grandes) a chegada parece incompreensível. Tão delicioso receber a medalha dourada, tão dolorido carregar coroas lilás.

As cordas encerram a dança na torre da igreja. As rodas continuam a beijar os paralelepípedos, e se vão. As pequenas não se abalam. É muito cedo para isso. É muito triste. Aos poucos, sem ensaio, se inicia uma nova competição. Sem ensaio se mantém a pureza infantil.

* Memórias de Lolô