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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ê saudade

Faz quase um mês que decidi, de uma hora para outra, revolucionar minha vida. Foi, então, quando alguns sons começaram a me perturbar. Às vezes, o mais silencioso deles é, também, o mais perturbador. E quanto mais o tempo passa, mais estridentes ficam.


É incrível, mas o som da chave do velho armazém no Rincão da Serra, ao girar na fechadura, causa uma sensação estranha demais. Começo a pensar em abrir as portas usando tampões. Dói demais.

O dilema já começa ao pegar o chaveiro na bolsa. Em frente à velha porta verde preciso tomar cuidado e coragem. Antes que ela se abra sinto a necessidade de engolir seco - e de segurar lágrimas. Após abrir a mesma passagem por anos e anos só agora o coração aperta, se contrai todo. Eita, destino irônico esse.

Mas há, sim, uma explicação.  Ao entrar no prédio os pés começam a trilhar o sonho possível. Aos poucos os olhos percorrem cada detalhe. Tudo o que foi construído em tão pouco tempo. Cada prateleira, cada peça de roupa, cada sinal de dedicação... Ah, tudo diz tanto. Impossível pedir que outros compreendam.

Em meio às araras e aos manequins as lembranças vêm. Quantas coisas boas vivi no Brechó da Lolô. Quantas pessoas, quantos momentos, quantas risadas, quantas loucuras. Nos cabides, cartazes ou até mesmo nos pequenos reparos visualizo muito mais. Mas antes de ver, sinto. E sabe de uma coisa? Já estou com saudades. 

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