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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Baleinha baby

Nessa onda de concursos, de novas cortes, embarquei e decidi contar a minha experiência. Tudo bem que esse blog, muitas vezes, parece meu querido divã. Mas tudo bem, também, que é importante saber lidar com traumas e outras coisitas más. Pelo menos eu tento.

Quando criança, minha família era sócia do Clube Aliança. Eu, minha mãe, meu irmão, minha tia, e por aí vai, éramos felizes frequentadores das piscinas. Época linda, boa, resfrecante. Foi ali, nos anos 90, que tomei uma terrível decisão: concorrer à Panterinha Baby.

Naqueles tempos, todos os clubes realizavam esses concursos. O motivo principal era escolher a rainha, adulta, que representaria a entidade no saudoso Rainha das Piscinas, organizado pelo colunista social Ike. Quem não lembra, não é mesmo?

Até hoje eu tento encontrar vestígios, rastros do que me levou a embarcar nessa. Não me conformo. Como meus pais puderam deixar que isso acontecesse? Era mais fácil, sim, muito mais fácil eu ganhar o Baleinha Baby!

Apareci no jornal, na página das candidatas. A família se reuniu para assistir o show. Vesti o biquíni (sim, eu tive coragem) rosa e verde e me fui. Sinceramente, não lembro, mas será que achei, em algum momento, que teria chances? Não. Isso só pode ser piada. Isso só pode ser um pesadelo! Infelizmente não é.

Até hoje guardo a página da Gazeta do Sul, sem falar nas fotos, expostas em álbuns de família, que assombram meu passado cruel. Ah, ainda teve o lindo comentário de uma concorrente, antes de ganharmos a passarela: "Olha só o tamanho da barriga dela. A minha é bem menor". Tudo bem, crueldade não escolhe idade, classe social e concurso de beleza muito menos (deviam ter me avisado que era um de magreza).

Os anos passaram e sempre levei isso na esportiva (apesar do pequeno trauminha, guardado no fundo do coração). Lá em casa todos riem, principalmente meu irmão. E todas as vezes que o assunto renasce das cinzas, pergunto para a dona Juliana como isso foi possível. Por qual motivo não me barraram? Por que não me impediram? Se fosse só a barriga, mas nem o cabelo ajudava!

A mãe ri, não querendo rir. Mas não há escapatória. Não há.

Ela não responde e eu tento entender: filhos são perfeitos sob a vista maternal. Podem ser o bichinho da goiaba, da maça ou do pepino, mas são lindos, maravilhosos. Os fatos estão aí.

Diante do meu fracasso evidente ela estava lá, na torcida, ainda preocupada em registrar, para a eternidade, o momento (aaaaaaah!!).  O que me conforta nisso tudo: pelo menos pra minha mãe posso ser qualquer coisa. De panterinha a baleinha vou estar um espetáculo. Sempre.

Salvem as mães!
Não encontrei a foto do desfile (obaaa!!), por isso segue a que saiu no jornal

Um comentário:

  1. Sua participação no concurso, cuja decisão foi obra de seus pais, tinha como objetivo trilhar caminhos da desibinição, coragem e da inteligência. Hoje, colhemos os frutos.
    A propósito: você lembra quem foi escolhida rainha? Confesso, sem nenhum trauma, que não lembro.
    Do pai Mário.

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