Recentemente soube de uma história triste. Quisera eu que ela jamais tivesse sido construída, que suas páginas fossem queimadas sem rabisco algum. Mas entre o querer e o poder há uma distância sem igual. (...)
Num domingo chuvoso, segui até o interior de Vera Cruz na companhia da minha mãe (não vou ser muito específica para preservar os envolvidos). Quando cheguei na casa, cumprimentei as pessoas e percebi seus olhares já notei o mal da família.
Os olhos claros da mãe e das crianças constrastavam com a vermelhidão do olhar paterno. Os meus olhos, já treinados para algumas situações, logo viram o que não queriam ver.
Enquanto eu relembrava de próprios momentos ruins vividos, a garrafa de cerveja se esvaziava na mesa em frente. Depois surgia outra. E mais outra. E mais outra. Ah, a arte de não se conter diante das tentações. A arte de não ser "macho" quando é preciso.
Na hora da partida, já dentro do carro, no caminho de volta para casa, a notícia: as noites não dormidas; os tapas e socos; os objetos quebrados; o "erro" na hora de urinar; a solidão; o medo; a angústia; a vida ingrata do quarteto que se iguala a um sem número de viventes. Terrível, terrível demais.
Não há como ficar indiferente. Não há como não sentir dores no peito, na alma, no inconsciente. Malditos sejam os vícios. Coitados aqueles que não conseguem dar valor às coisas boas e realmente valiosas dessa vida.
Quando uma ação desencadeia as piores reações, como o choro, a tristeza, a insegurança... Como o prazer de beber pode ser tão maior que o amor pela família, pelos filhos e por si mesmo?
Mais dolorido do que conhecer histórias como essa é viver, mesmo que de forma mais amena, as mesmas situações e compartilhar os mesmos sentimentos (doentes, por sinal). Mais dolorido ainda é ser trocado, tantas vezes, por um fardinho de cerveja. A companhia não vale nada, mas o gole vale tudo.
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