Minhas férias escolares sempre foram sinônimo de Rincão da Serra. Lembro de contar os dias para poder passar mais tantos outros na casa da vó e do vô. Era lá, no interior de Vera Cruz, minha verdadeira escola. Até hoje não sei qual o motivo para tanto amor. Talvez a paixão por aquelas terras seja fruto de outras vidas; ou dessa aqui mesmo. O amor, porém, é a única certeza.
Depois de correr pelos campos, de brincar com os gatos, de ajudar (ou atrapalhar) na lida com porcos, galinhas e vacas eu sentia o sol se esconder. Mesmo diante de toda aquela beleza, mista em árvores e campo, uma tristeza invadia meu coração. Era o fim de mais um dia. E eu jamais gostaria que qualquer dia lá tivesse fim.
Foi, então, no poente que aprendi a ouvir os sons do asfalto (o da RSC 287, para ser mais específica). E com todas as minhas forças, sempre os detestei. Não pelos ruídos, não por problemas de audição. Talvez odiasse, tivesse raiva pelo simbolismo.
Caminhões, carros, motos, ônibus cantarolavam saudade. Na estrada seguiam caminhos cheios de certeza e incertos até a linha de chegada. Meus pequenos olhos castanhos visualizavam angústias de gente grande, ainda que fossem infantis.
Hoje, quando estou no Brechó da Lolô, ou quando aproveito os dias na companhia da família, no Rincão, me incomodo da mesma forma com o barulho dos horizontes negros. Agora, se não bastasse, são três asfaltos para cruzar meus pensamentos. Neles, o som. O medo do incerto. O fim do dia. O passar dos anos.
Nos sons do asfalto o próprio silêncio. Nos sons do asfalto está, muitas vezes, aquilo que não gostaria de ouvir.
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