No Clube da Helô você não paga mensalidade, não precisa de carteirinha, nem de exame médico. Aqui, quem tem mente aberta, bondade no coração e alegria no sangue é visitante vip. E para esses a entrada é liberada! Seja bem-vindo! :D

terça-feira, 27 de maio de 2014

Antes tarde

Desde o último post já faz mais de dois meses que deixei de aparecer por aqui. Aconteceram tantas coisas nesse tempo... Uma delas, inclusive, foi o convite que recebi da amiga, jornalista e editora da Folha de Candelária, Cláudia Priebe, para publicar uma coluna semanal no veículo de comunicação. 

Feliz da vida, aceitei na hora! Compartilho, então, os dois primeiros textos. Caso queira receber o pdf por e-mail, comente aqui, envie mensagem no Facebook ou envie solicitação para o meu e-mail (heloisalp@yahoo.com.br). Boa leitura! :)

***

Agora sou África
(texto publicado no dia 13/05, na Folha de Candelária, página 3)

Escrevo o primeiro texto desta coluna justamente quando
completo o primeiro mês na Cidade do Cabo (Cape Town), na
África do Sul. O tempo, esse danado, passou depressa, como
sempre. Ainda lembro bem do dia 12 de abril, um sábado, quando
deixei a casa dos meus pais, em Vera Cruz (RS), para me aventurar
em outro país. Finalmente compreendo, com toda minha
alma, quando Zezé di Camargo canta "no dia em que eu saí de
casa...".

Ao longo desses trinta dias aprendi demais. Não há manhã,
tarde e noite que passe sem aprendizado. E tudo isso não é exagero.
Sair de uma cidade interiorana, com seus pouco mais de
20 mil habitantes, para uma metrópole de milhões de pessoas é
uma experiência bastante interessante. Às vezes me sinto como
um filhote de leão que descobre, aos poucos, a vida selvagem.
Um país um tanto parecido com o meu, mas, ao mesmo tempo,
tão diferente.

A convite da Editora e amiga Cláudia Priebe, neste espaço
pretendo contar um pouco do dia a dia e da experiência na Cidade
Mãe, como também é chamada. Estou apenas no início de
uma jornada de seis meses (retorno ao Brasil no dia 30 de outubro)
e já não tenho mais espaço na mala para tantas lições. No
pouco tempo já evoluí como pessoa, tento lidar com minhas
dificuldades e apoiar aqueles que estão na mesma situação (e
como há pessoas dividindo as mesmas angústias por aqui!).

Viagens, momentos divertidos, idas ao supermercado, o momento
de atravessar a rua, similaridades e diferenças da cidade
sul-africana em relação ao Vale do Rio Pardo, medos, vitórias.
Tudo isso será desenhado aqui, entre linhas e parágrafos. Você,
leitor, está convidado a participar com dúvidas, sugestões e críticas.
Basta escrever para o meu e-mail (heloisalp@yahoo.com.br)
 ou entrar em contato com a Folha de Candelária.

Prometo traduzir o intercâmbio de forma leve, prazerosa e
responsável. Ah, ainda tem um detalhe. Estou aqui sem saber
falar o inglês! No ano passado recebi a visita da loucura e decidi
viajar com ela para aprender, de uma vez por todas, o bendito
(às vezes acho maldito) idioma. Há tantas coisas por dizer. Preciso,
agora, de foco (e aprender a escrever tantas coisas em apenas
algumas linhas). Na próxima coluna tem mais. Keep calm
and enjoy South Africa!

***

Na ponta da língua
(texto publicado no dia 20/05, na Folha de Candelária, página 3)

Se alguém me perguntasse hoje "Qual o seu maior desejo?",
sem sombra de dúvidas responderia: almoçar um churrasco bem
bagual, de sobremesa comer bergamota no sol e tomar aquele
chimarrão com a família e os amigos. Simples, não é mesmo?
Seria, se eu não estivesse na Cidade do Cabo, na África do Sul.
Por aqui tem sido fácil sonhar com as delícias do Vale do Rio Pardo.
Cucas, galinhada, carreteiro de charque, tortas, pinhão, brigadeiros,
linguiça... Ok, ok melhor parar por aqui.

No voo de Joanesburgo para Cape Town, no dia 13 de abril, a
aeromoça perguntou o que eu gostaria de jantar. Logo se adiantou
e falou quais eram as opções. Lógico que não entendi nada.
Só compreendi o "beef or chicken". Louca por um pedaço de carne,
escolhi a primeira. Quando abri a bandeja vi que se tratava de
uma espécie de salsichão. Poderia ter sido bom não fosse o
excesso de pimenta. Ali, na inocência, não imaginei que teria início
uma saga sem fim.

As "delícias" por aqui são, muitas vezes, mergulhadas na pimenta.
Eu, nada fã de temperos, tenho sofrido bastante. Após um
mês, no entanto, já me acostumei a perguntar antes "This has
pepper?" (Isso tem pimenta?). O sorriso se alarga quando o atendente
diz que não. Mas o estômago pede paz quando percebe que
sim, há alguma coisa muito picante em meio à massa, ao pão ou
seja lá o que for. Felizmente os doces (prefiro os daí) não têm a
especiaria. Ufa!

O churrasco, famoso "braai", achei uma tristeza. Tive a oportunidade
de comer somente uma vez (estava animada), mas a
pimenta deu fim aos sonhos de uma gaúcha com saudades da
culinária do Sul. Às vezes é difícil de sentir o gosto da própria
comida. É praticamente impossível, para mim, apreciar a iguaria
enquanto me sinto como um dragão, cuspindo fogo por todos
os lados.

Preparar carreteiro em casa tem sido a opção para driblar a
saudade e a pimenta. Outros alimentos, contudo, também parecem
ter gosto diferente dos brasileiros, como o milho verde e a
batata. Outra peculiaridade aqui é o uso do abacate (avocado)
em salgados. Um exemplo bem comum são as pizzas. Até gostei,
confesso.

Enquanto o dia 30 de outubro não chega (por favor, me convidem
para churrascos de boas-vindas) levo a vida de "cachorro
assistindo máquina de assar frango". Como coisas na Cidade do
Cabo, mas imagino que são as de Santa Cruz do Sul, Vera Cruz,
Candelária... Por enquanto as panquecas e os waffles, que podem
ser encontrados com facilidade, nutrem a saudade nada
doce.

Nenhum comentário:

Postar um comentário