Nas ondas da vida
(texto publicado no dia 27/05, na Folha de Candelária, página 3)
Vários passarinhos verdes que vivem pelo Facebook me contaram,
na última semana, que as temperaturas já estão baixas por
aí. Pelo número de relacionamentos sérios que se iniciaram nos
últimos tempos, suspeitei que o inverno estivesse chegando com
tudo na região. Brincadeiras à parte, em Cape Town os termômetros
também começaram a marcar números baixos. Dizem que
o inverno aqui é bastante rigoroso e que se assemelha com o Sul
do Brasil. Veremos!
Já que os pensamentos estão um tanto gelados, que tal esquentá-
los um pouco falando sobre praia? Pode ser uma boa, não é
mesmo? Ah, nem que seja para matar a saudade! Aqui na Cidade
do Cabo conheci lugares maravilhosos. Assim que cheguei, em
abril, tive a sorte de ainda contar com dias ensolarados e quentes.
Perfeitos para passear por algumas praias e conhecer a realidade
daqui. Muizenberg, Simon's Town, Clifton, Camps Bay
e Hout Bay foram algumas delas.
A paisagem, sem sombra de dúvida, encanta qualquer um. Eu,
que não sou muito fã, desejei ter uma casinha por lá. O misto de
água e areias limpas, rochas grandiosas com montanhas contornando
a paisagem deixa qualquer um apaixonado. Sem falar que
em algumas há pinguins!
Mas, como a maioria das coisas, nem tudo é perfeito. A água é
realmente muito gelada. Tive coragem de colocar apenas os pés
dentro e senti que ficaram anestesiados em segundos. Pelo menos
em algum ponto se parecem com a realidade gaúcha.
Um grande diferencial, em relação com as praias brasileiras,
no entanto, é a inexistência de ambulantes (vi apenas vendedor
de picolé e de água), de carros de som, de grupos fazendo churrasco
ou bebendo à beira-mar. Quase nem vi pessoas usando
biquíni, acredite. Enquanto por aí vendem de tudo (no verão
sempre acho que alguém ainda vai passar vendendo a mãe), por
aqui é a paz que reina sobre a areia. Bonito de se ver!
***
Por falar em mar, hoje gostaria de poder estar diante dele, rezando
por um ente querido. Aproveito para dedicar esta coluna
ao meu tio avô, Lauro Arent, que faleceu na manhã desta segunda-
feira, em Santa Cruz do Sul (RS). É difícil estar tão longe num
momento como esse. Ele, que cuidou de mim e do meu irmão
quando pequenos, vai deixar muitas saudades, com certeza.
Como não poderei abraçar a família fisicamente (eis o lado ruim
do intercâmbio), fica aqui minha homenagem a um dos grandes
companheiros de chimarrão que tive. “The peace for the Lord be
always with you. Amen”.
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