Havíamos passado
a noite em uma pequena pousada da grandiosa Langebann. Grande pela natureza
maravilhosa, esplêndida, mas pequena se comparada a Cape Town. O local escolhido
para pernoitar era aconchegante demais. Daquele tipo que não se quer deixar.
O quarto tinha
uma parede cor de laranja, que eu adoro, e trazia um pensamento: “be so happy that when others look at you
they become happy too” (seja tão feliz que, quando outros olharem para você,
vão ficar felizes também). E eu estava. Desejei, por vários instantes, que
aquele momento jamais se acabasse. Engraçado, mas acho que já disse isso no
texto anterior.
Tudo naquele
pequeno estabelecimento sinalizava conforto, cheirava a casa de vó (inclusive
pelas imagens religiosas por todos os cantos). O que fazia todo o sentido. A dona
era uma senhora extremamente gentil e hospitaleira, no auge dos seus sessenta
anos. Ela mesma preparou nosso café da manhã. - Como vocês preferem os ovos?
E os preparou na
hora mesmo. Segundo o Zaid, provavelmente aqueles quartos teriam sido dos
filhos daquela mulher, anos atrás. Diante da imensidão, e do vazio, quando se
foram, decidiu adotar outros filhos, os do mundo. Assim, abriu sua casa e seu
coração. Sorte a nossa que aqueles passarinhos esvaziaram o ninho.
Deixamos a
pousada e partimos para a praia. O lugar onde, na noite passada, havíamos
deslumbrado a lua e o mar, calmo, sereno. Pude ver, então, cada onda me dizendo
adeus (ou, quem sabe, até logo). Voltamos para lá, dessa vez diante de alguns
raios de sol. Enxerguei, então, o que a noite havia escondido. E todas as vezes
que olhava para o homem ao meu lado, lembrava: tudo isso está prestes a acabar.
Saímos da praia
e seguimos pelas lojinhas do pequeno centro daquela cidadezinha. O Zaid me
acompanhou, pacientemente, em cada uma delas. Eu procurava, na ocasião, um Senhor
dos Ventos para presentear minha tia Scheila, quando chegasse ao Brasil. As buscas
foram em vão, mas o passeio não.
(Continua)

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