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sexta-feira, 5 de junho de 2015

A pousada

Havíamos passado a noite em uma pequena pousada da grandiosa Langebann. Grande pela natureza maravilhosa, esplêndida, mas pequena se comparada a Cape Town. O local escolhido para pernoitar era aconchegante demais. Daquele tipo que não se quer deixar.
O quarto tinha uma parede cor de laranja, que eu adoro, e trazia um pensamento: “be so happy that when others look at you they become happy too” (seja tão feliz que, quando outros olharem para você, vão ficar felizes também). E eu estava. Desejei, por vários instantes, que aquele momento jamais se acabasse. Engraçado, mas acho que já disse isso no texto anterior.
Tudo naquele pequeno estabelecimento sinalizava conforto, cheirava a casa de vó (inclusive pelas imagens religiosas por todos os cantos). O que fazia todo o sentido. A dona era uma senhora extremamente gentil e hospitaleira, no auge dos seus sessenta anos. Ela mesma preparou nosso café da manhã. - Como vocês preferem os ovos?
E os preparou na hora mesmo. Segundo o Zaid, provavelmente aqueles quartos teriam sido dos filhos daquela mulher, anos atrás. Diante da imensidão, e do vazio, quando se foram, decidiu adotar outros filhos, os do mundo. Assim, abriu sua casa e seu coração. Sorte a nossa que aqueles passarinhos esvaziaram o ninho.

Deixamos a pousada e partimos para a praia. O lugar onde, na noite passada, havíamos deslumbrado a lua e o mar, calmo, sereno. Pude ver, então, cada onda me dizendo adeus (ou, quem sabe, até logo). Voltamos para lá, dessa vez diante de alguns raios de sol. Enxerguei, então, o que a noite havia escondido. E todas as vezes que olhava para o homem ao meu lado, lembrava: tudo isso está prestes a acabar.
Saímos da praia e seguimos pelas lojinhas do pequeno centro daquela cidadezinha. O Zaid me acompanhou, pacientemente, em cada uma delas. Eu procurava, na ocasião, um Senhor dos Ventos para presentear minha tia Scheila, quando chegasse ao Brasil. As buscas foram em vão, mas o passeio não.

(Continua)

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