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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Pensando alto

Naquele dia o Zaid estava especialmente interessado em me agradar. Por isso, fez tudo o que eu desejava. Me levou a lugares que nem ele, acredito eu, sabia que existia. Exemplo disso foi uma loja especializada em materiais para a produção de bijouterias, na saída de Langebaan.

Ele simplesmente estacionou o carro por lá e decidiu que seria interessante gastarmos alguns minutos entre aquelas prateleiras. Como em muitos momentos, ele não estava errado. Foi lá que acabei comprando uma porção de quinquilharias, entre elas o mapa da África, que pude personalizar, e que até hoje estampa o mural pendurado na parede lilás do meu quarto.


Depois daquela parada ainda visitamos uma pequena feira de artesanato, onde homens aparentemente humildes tentavam ganhar a vida. De lá, seguimos a uma colônia de férias. Sob a luz do sol, diante da praia, sentada no muro branco, ouvi dizer que aquele havia sido o cenário de inúmeras férias do Zaid e de sua família. No fundo eu sabia que visitar aquele lugar poderia render lembranças distintas a ele, apesar de não parecer se importar. Um dia, em um texto, explico o motivo.

Além de apresentar o conjunto de apartamentos brancos, de aberturas coloridas, Zaid me levou ao cassino, instalado no mesmo condomínio. Apenas nós dois nos divertimos naquele dia, entre as máquinas de jogos. Ou melhor, ele. Essas casas de jogos não me agradam muito, mas eu não poderia deixar de parecer entusiasmada.

A cada jogo, Zaid ganhava pontos que, mais tarde, poderiam ser trocados por pequenos prêmios. Um deles, por sinal, foi o anel que ainda veste meu dedo médio da mão direita. Foi o melhor presente mais barato que já ganhei de um homem. E, disparado, o mais bonito e sincero.
 
Ao sair dali, ganhamos a estrada. A partir de então todos os quilômetros representavam o retorno a Cape Town e, também, ao Brasil. As rodas trilhavam o asfalto e nossas mentes viajavam muito mais. Meu coração, ao mesmo tempo que pulava de alegria, por voltar para casa, sentia um aperto diferente, uma sensação inexplicável. E as músicas no rádio não nos perdoavam. Ed Sheeran, ao cantar Thinking Out Loud, fez com que segurássemos as lágrimas diversas vezes.

Continua.


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