O medo que possuía em não conseguir manter o blog deixou de ser coisa da mente para se tornar realidade. Dias e semanas corridas, além de outros pretextos, fizeram com que deixasse o projeto "meu querido blog" de lado. Maaaas, como tudo nessa vida, acredito que as tentativas de reconciliação são sempre válidas.
Abaixo segue um texto que escrevi em 2010, quando pretendia iniciar a vida de blogueira (e que deixei arquivado no e-mail para eventual publicação). O conteúdo expressa minha agonia, sentimento que toma conta de mim nesse momento. Vamos lá. Mais uma tentativa!
Meu estômago abomina começos. Se retorce, contrai os sentimentos, expulsa o sono, serve chá para a angústia e almoça ansiedade. E não importa o início. Seja na volta às aulas, no primeiro encontro amoroso, no novo emprego ou na fala diante de estranhos o medo predomina. Junto ao ciclo interminável de assombros chegam as dúvidas e, de vez em quando, o desabafo. Por qual motivo parece tão difícil diante do espelho? Ao olhar para a mesa ao lado, durante a conversa no messenger, nos escritos fascinantes e nos prêmios concedidos aos vitoriosos tudo parece mais fácil, leve, confortante.
Mas relutar pelos inícios é inútil. Todos os dias necessitam recomeços. Sair da cama, cumprimentar desconhecidos na parada de ônibus, conceder lugar no restaurante, tirar as dúvidas ingênuas, compartilhar o sono durante a volta para casa, acreditar num sonho melhor e num amanhã possível. Mesmo que pareça irrelevante, são ações primeiras que resultam nos maiores medos. E todos eles, na verdade, dão forma aos principais objetivos, às grandes aspirações e aos maiores desejos. É assim que me sinto. O vai-vém de emoções faz estremecer minhas estruturas e, ao mesmo tempo, permite que ainda sejam sentidas.
Este primeiro texto, do meu primeiro blog pessoal, assim como todos os projetos que encaro, também é um medo. Se traduz no receio de não escrever coisa com coisa (os dois primeiros parágrafos podem ser um indício), de não ter forças para continuar ou, simplesmente, de decepcionar meu eu. O esforço e o comprometimento não podem ser em vão. Criar e não dar continuidade é o berço da frustração. Minhas expectativas são muito esperançosas para que sejam deixadas de lado, no canto do esquecimento. Meu medo inibe, mas também fortalece. Seja bem-vindo.
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