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terça-feira, 10 de abril de 2012

Telepatas pelas ruas

 Em 2010 pretendia enviar o texto abaixo para alguns jornais. O tempo foi passando, passando e o mesmo ficou engavetado. O pior, no entanto, não é isso. Rui mesmo é o fato de nada ter mudado no trânsito de Santa Cruz do Sul (RS), o que me deixa assustada. Sendo bem realista: tudo parecer ter piorado bastante.


Telepatia. A palavra que rege o trânsito em Santa Cruz do Sul (RS). Um orgulho, afinal não recordo de outro município onde motoristas utilizem o mesmo recurso para se deslocar (se bem que...). Minha impressão é de que somos pioneiros na prática. Entre ruas, avenidas e estradas a lei é direcionar o pensamento para o guia do carro que vem atrás ou que está prestes a passar pelo cruzamento. Nunca reparou nisso? Alguns exemplos facilitarão a mudança de olhar.

Movimento absurdo de fim de tarde. Pais buscam filhos nas escolas, trabalhadores retornam aos lares, visitantes procuram roteiros, vendedores encerram o expediente, pedestres correm para não perder o ônibus e automóveis vagam por meios telepáticos. Com isso, o pisca-pisca deixa de existir. Torna-se uma espécie de acessório. Afinal, cada condutor tem o poder e a missão de entender que o veículo vai virar à direita ou estacionar, não é mesmo? Em meio a tudo isso é essencial prestar atenção aos sinais que vêm da mente. Qualquer descuido pode ser fatal. Alguns ainda tentam sinalizar com o método convencional, mas parece ser em vão. Só a telepatia funciona.

Outro exemplo clássico é aquela freada básica quando o fluxo corre bem. As rodas seguem livres, saltitantes, experimentam a liberdade até que a parapsicologia entra em cena. Cantar dos pneus e aquele impulso para frente. Dependendo da hora, serve para acordar, dar aquela mexida no estômago ou simplesmente tornar as horas mais emocionantes. Mais um ganho da transmissão de pensamentos: faz bem ao coração. Pedestres também se esforçam. Desfilam vagarosamente na faixa de segurança, não esperam a chegada do menino vermelho, no semáforo destinado a eles, entre outras peripécias.

No entanto, é preciso confessar:
Santinha Fashion Week fica bem na Floriano, hein? Terapia budista dentro do carro é ótimo, certo? Alguns ainda adivinham que falta tempo para assistir ao National Geographic e imitam a locomoção de lesmas sobre os paralelepípedos. Fantástico. Além disso, também existe o processo de reflexão junto às cores do semáforo. Geralmente os primeiros motoristas da fila se unem numa discussão telepática sobre o verde. Ficam extasiados com seu brilho, ávidos pela esperança e esquecem de acelerar. É de se observar que hoje os carros geralmente andam quando diante da cor vermelha.

Por mais que pareça interessante, a prática é capaz de embaralhar ideias, confundir motoristas veteranos e estressar os mais apressados. Mesmo que o uso da telepatia no trânsito esteja em crescimento é aconselhável usar os métodos antigos, aqueles que ainda ensinam nas autoescolas. Cordialidade, paciência, respeito e atenção devem disputar as melhores posições na estrada, e ultrapassar a imprudência. Transmissão de pensamentos é ousado e complicado. Nem sempre eles têm a mesma direção.

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