Ultimamente ando com medo da morte. Não, esse não é um post de revelação. Não estou prestes a entrar no Reino dos Céus, nem estou depressiva a ponto de estourar os miolos. Calma, também não é para tanto. No fundo, o sentimento que acomete meu ser é difícil de explicar. Quem sabe ele veio depois de ter acompanhado um fim tão prematuro. Quem sabe ele sempre esteve ali, engavetado. Quem sabe já esteja indo embora.
Quando ouço, leio e vejo notícias, quando amigos comentam de doenças terminais, quando ouço aquela maldita (ou bendita) frase "Por isso temos que aproveitar as coisas enquanto dá" o corpo todo estremece. Chega a arrepiar. Imagina passar a virada de ano com quem se gosta e, no outro, se dar conta de que aquela foi a última vez? Ser pego de surpresa com um aviso ruim, uma visita inesperada?
Hoje, no aniversário de uma tia-avó, observei todos a minha volta. Todos que um dia não estarão mais. Tantas coisas boas compartilhadas, tantos segredos, tantas vitórias, tantos presentes. Comemoramos mais um ano, quem sabe, para acobertar coisas inexplicáveis, secretas, que nem se comentam.
E quanto mais evito pensar, mais eu penso. A agonia aumenta. Afinal, quem é perfeito? Quem consegue ligar para todos os amigos todos os dias? Quem consegue visitar familiares distantes com frequência? Quem consegue dizer aos pais e irmãos "te amo" todos os dias? Quem consegue se tolerante a tudo? Quem consegue acertar sempre? Ok, se você respondeu "sim, eu consigo" a todas as perguntas me procure. Aí, sim procurarei a primeira ponte.
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