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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Meu querido dorme-dorme

O velho portão, enferrujado pelo tempo, protege a planta. As estações mudam, o sol faz dia, a lua faz noite e o dorme-dorme permanece lá. Sobre a terra, ergue seus pequenos galhos e abre grandes horizontes.

Na calçada, em frente ao canteiro, pequenos pés se divertem com a esperteza da vida. As mãos, também pequenas, tocam nas folhas. Elas se fecham. É o singelo afago dos dedos, capaz de fazer com que os ramos adormeçam por um instante.

Presente, truque da  natureza à menina. Tios, amigos, pai, mãe. Todos são convidados a assistir o espetáculo do dorme-dorme. Plateia pequena. Grandes aplausos.

Enquanto a alegria se faz diante do verde, trabalhadores, crianças, carros, carroças e ônibus trilham suas vidas na marrom estrada de chão. Desenvolvem seus presentes rumo ao futuro.

Nem mesmo os passos apressados e as pedras soltas são capazes de minimizar a relação de amor entre a criança e a planta. O dorme-dorme se fecha, mas acorda. Faz pulsar o coração. Entusiasma a infância.

O tempo passa.

De marrom, a estrada agora é cinza. O velho portão enferrujado, também. As novas grades não puderam proteger o pequeno pé de folhas engraçadas. Enquanto isso, a menina cresceu. Teria ido a plantinha repousar no céu? Teria ela renascido em outro lugar, adubado esperanças?

Dorme-dorme nas lembranças. Dorme-dorme no toque das mãos. Dorme-dorme eterno, no coração.

*Memórias de Lolô

Um comentário:

  1. Nossa Helo, que bacana esse texto.
    O dorme-dorme foi uma das plantas da minha infância.
    Adorava ver a planta fechar e esperava ela abrir para poder tocá-la novamente.
    Saudades!!!

    Abraços, Erna

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