Na calçada, em frente ao canteiro, pequenos pés se divertem com a esperteza da vida. As mãos, também pequenas, tocam nas folhas. Elas se fecham. É o singelo afago dos dedos, capaz de fazer com que os ramos adormeçam por um instante.
Presente, truque da natureza à menina. Tios, amigos, pai, mãe. Todos são convidados a assistir o espetáculo do dorme-dorme. Plateia pequena. Grandes aplausos.
Enquanto a alegria se faz diante do verde, trabalhadores, crianças, carros, carroças e ônibus trilham suas vidas na marrom estrada de chão. Desenvolvem seus presentes rumo ao futuro.
Nem mesmo os passos apressados e as pedras soltas são capazes de minimizar a relação de amor entre a criança e a planta. O dorme-dorme se fecha, mas acorda. Faz pulsar o coração. Entusiasma a infância.
O tempo passa.
De marrom, a estrada agora é cinza. O velho portão enferrujado, também. As novas grades não puderam proteger o pequeno pé de folhas engraçadas. Enquanto isso, a menina cresceu. Teria ido a plantinha repousar no céu? Teria ela renascido em outro lugar, adubado esperanças?
Dorme-dorme nas lembranças. Dorme-dorme no toque das mãos. Dorme-dorme eterno, no coração.
*Memórias de Lolô

Nossa Helo, que bacana esse texto.
ResponderExcluirO dorme-dorme foi uma das plantas da minha infância.
Adorava ver a planta fechar e esperava ela abrir para poder tocá-la novamente.
Saudades!!!
Abraços, Erna