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segunda-feira, 24 de junho de 2013

O riso sumiu

Meu avô materno sempre foi uma figura. Divertido, alegre, espontâneo, contrário à qualquer frescura. Sempre foi, também, muito teimoso. Muito mesmo. Quem conhece o seu Romeu sabe bem disso. 

Ao longo desses meus 25 anos, no entanto, vi que ele manteve a graça da teimosia, mas deixou de lado a sua alegria de viver. Inverteu valores. Fez tudo errado. Mudou onde não devia e permaneceu o mesmo onde não precisava.

Não sei bem quando isso aconteceu, mas meu vovô se tornou uma pessoa triste, cabisbaixa, sem sonhos. E era só disso que a depressão precisava. Tomou ele aos poucos. Não pediu licença e se tornou companhia diária na sala, na cozinha, no quarto, nas horas de sono. 

A malvada, enfim, conseguiu tomar por completo um homem bom. Aliás, bondade foi e ainda é uma das grandes virtudes dele. Não mede esforços para ajudar os outros. Se preocupa com o bem-estar da família e sofre, sofre muito, com cada dificuldade. Mesmo assim a deprê se fez soberana.


Foi, então, quando meu avô largou de mão, totalmente, o cara do espelho. O nascimento da neta mais nova, há dois anos, até fez com que ele ensaiasse novos sorrisos. Até deu novo tom de felicidade aos seus setenta e poucos anos. Só que não foi suficiente. 

Hoje, seu Romeu está doente. Não se sabe ainda ao certo o que acomete seu corpo. Sabe-se apenas o óbvio. O avô, grande apreciador de churrascos, de uma cervejinha, o apostador de loterias, o inventor de modas, o experiente caminhoneiro, o pseudo-engenheiro, o guri de Sinimbu dá sinais de que já desistiu de tudo. Tão jovem, mas tão velho nos seus ideais. 

Enquanto as linhas deste texto se formam, ainda tento encontrar motivos. Sorrisos não somem assim, tão fácil. Como pode? Talvez eu até saiba as razões. Talvez não queira enxergar. Como boa neta, entretanto, prefiro teimar e torcer para que o seu Romeu abra, de novo, as portas para a alegria.

2 comentários:

  1. Ele vai recuperar a alegria de viver, sim. Com a nossa ajuda.
    Do pai.

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  2. Helo, a vida tem altos e baixos, mas acredito que o teu avô precisa reencontrar o caminho para a felicidade, ter uma nova motivação de vida para que você possa ver e apreciar os sorrisos dele novamente. Bjs Dai.

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