Faz quase um mês que não apareço por aqui. Lamentável. Horrível. É quase inaceitável não ter o que falar. Todos têm algo a dizer! Talvez o problema esteja nos últimos acontecimentos pessoais. Às vezes o silêncio é o melhor texto, a melhor resposta, a colocação mais adequada.
***
Toda vez que o aniversário de alguns dos meus tios se aproximava, toda angústia ressurgia das cinzas. Minha incapacidade (ou preguiça master) de anotar a data de nascimento deles, ou a falta de memória, complicava a situação, ano após ano. Ah, como era difícil.
O problema todo, na verdade, estava no momento em que não restavam mais saídas. Era preciso perguntar para a vó, para a mãe, para o pai. Eles simplesmente não conseguiam responder prontamente, de forma rápida, prática. E isso me tornava um ser impaciente.
Sempre, mas sempre mesmo, começavam as divagações. "Bom, eu nasci em xxx. Teu tio é cinco anos mais velho que eu e dois mais novo que teu outro tio". E assim o dia seguia. Começavam a falar, falar, falar. Procuravam respostas, começavam a conversar com o vizinho, lavavam roupa, cortavam a grama, faziam bolos, colhiam laranjas, recorriam à calculadora. Mas a resposta? Nada.
Como poderia ser tão difícil responder a uma pergunta tão simples? E isso que nem questionava a origem da vida, o surgimento dos bebês. Tudo o que eu queria era apenas saber a idade!
Curiosamente, lembrei disso tudo esses tempos, quando tentava lembrar os anos de vida dos meus afilhados. "O Felipe nasceu em 2004. Não, nesse ano foi a Ana. O Felipe nasceu em 2006. Então ele deve ter sete. Ah, ele vai fazer sete em dezembro. É isso. E o Guilherme?".
Preciso, urgentemente, organizar um caderno de nascimentos.
Vó, pai, mãe, desculpa aí! Na próxima eu ajudo a contar nos dedos. Na próxima, prometo, peço um pouco mais de paciência. No meu aniversário.
Nenhum comentário:
Postar um comentário