Assim que terminei a refeição, e aguardava minhas companheiras, reparei na mulher sentada na mesa ao lado. Quando meus olhos miraram aquele momento, não quiseram mais deixá-lo. Quem reparou na forma indiscreta como fiquei observando pode até achar que ainda estava faminta, desejando o prato alheio. (Tranquilize-se. Não era nada disso.)
Desejei, apenas, ter o tempo daquela senhora. Longe de querer pular etapas da vida, mas quis aprender com ela a manter a calma; a repousar a faca no prato enquanto apenas o garfo costurava caminhos até a boca; a aceitar ajuda sem pestanejar; a agradecer pelo prato do dia - para isso ela fez o Sinal da Cruz; a reservar um segundo que seja, a cada dia, para esquecer da alta velocidade do mundo.
É verdade que morro de medo da velhice. Já comentei isso algumas vezes, já chorei por antecipação e já sofri sem necessidade. De fato, me conformei. Agora, a cada ida ao restaurante, nos passeios, no supermercado, nas praças e em tantos outros lugares vou prestar mais atenção. Quero parar de mastigar ansiedade. Quero aprender a comer direitinho e a digerir tranquilidade. Afinal, nessa vida para tudo há um querido tempo.
Para apender como viver nessa louca vida também é preciso ouvir velhas histórias
Nenhum comentário:
Postar um comentário