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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Querido tempo

O almoço de hoje foi especial. Nada disso tem a ver com nova dieta ou com data comemorativa. Foi apenas uma senhora, de uns 70/80 anos, cabelos brancos, pequenina, aparentemente frágil que tornou o intervalo intenso, como deveria ser todos os dias.

Assim que terminei a refeição, e aguardava  minhas companheiras, reparei na mulher sentada na mesa ao lado. Quando meus olhos miraram aquele momento, não quiseram mais deixá-lo. Quem reparou na forma indiscreta como fiquei observando pode até achar que ainda estava faminta, desejando o prato alheio. (Tranquilize-se. Não era nada disso.)

Desejei, apenas, ter o tempo daquela senhora. Longe de querer pular etapas da vida, mas quis aprender com ela a manter a calma; a repousar a faca no prato enquanto apenas o garfo costurava caminhos até a boca; a aceitar ajuda sem pestanejar; a agradecer pelo prato do dia - para isso ela fez o Sinal da Cruz; a reservar um segundo que seja, a cada dia, para esquecer da alta velocidade do mundo.

É verdade que morro de medo da velhice. Já comentei isso algumas vezes, já chorei por antecipação e já sofri sem necessidade. De fato, me conformei. Agora, a cada ida ao restaurante, nos passeios, no supermercado, nas praças e em tantos outros lugares vou prestar mais atenção. Quero parar de mastigar ansiedade. Quero aprender a comer direitinho e a digerir tranquilidade. Afinal, nessa vida para tudo há um querido tempo.

Para apender como viver nessa louca vida também é preciso ouvir velhas histórias

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